Quanto tempo será que leva para uma criança voltar ao normal?
E eu que tenho cabelo bizarro e não sabia? Castanho com muuuiiitttossssss fios brancos. Que bizarro!
Bordado, arte e memória.
Hoje a neve que insistia em cair aqui no blog foi-se embora. É que a Primavera já anda dando o ar de sua graça. Como é bom ver a cor aos poucos reaparecer!
Essa vai para o Dimas: quando passei pela Universidade de Zürich, não resisti e fiz a foto desta fachada. Pensei a princípio se tratar de esgrafito da maior qualidade. Ruim mesmo era a fotógrafa e o equipamento: a câmara do telefone, que não dava para mais. Mas ainda hei de lá voltar e fazer outras, com uma máquina fotográfica que valha a pena, para que todos vocês possam se deliciar.
Há quem acredite que a vida não ofereça riscos. E passam incólumes por ela, vivendo suas vidinhas mais ou menos, e vão morrer de velhice, se não morrerem antes de tédio. Outros, encaram a vida como um enorme desafio, e têm que matar um leão por dia para sobreviver.Quem quer viver um amorMas não quer suas marcas, qualquer cicatriz?A ilusão do amor não é risco na areia, desenho de gizEu sei que vocês vão dizerQue a questão é querer, desejar, decidirAí diz o meu coração:"Que prazer tem bater, se ela não vai ouvir?"Aí minha boca me diz:"Que prazer tem sorrir, se ela não me sorrir também?"Quem pode querer ser felizSe não for por um grande amor?("Desenho de Giz" - João Bosco e Abel Silva)
Será que não dá para encontrar um equilíbrio nisso tudo? Qual é o segredo de dosar bem as coisas? Como se faz para morrer de velhice depois de uma vida intensa de amores, plena de motivações, rica de aventuras, aprendizados e sentimentos? Enquanto tento aprender sobre o bom senso, pelejo para sobreviver, mantenho o interesse na vida, me disponho a amar e ser amada, me equilibro na corda bamba,... olho meus companheiros. Ok, Drummond: vamos de mãos dadas. A luta pela sobrevivência me comove. A vida segue deixando sua cicatriz...
Hoje amanheci mais velha. Qual a sensação? Não muito diferente de todos os outros dias, afinal, todos os dias eu acordo um pouco mais velha. E assim a vida passa. E nem sempre a caravana ladra. Entretanto, também acordei naturalmente mais reflexiva. E veio-me à mente aquela letra do Chico:Cordas de uma orquestraNão. Não sei se é um truque banal
Se um invisível cordão
Sustenta a vida real
Sombras de um artista
E as bailarinas no grande finalChove tanta flor
Que sem refletir
Um ardoroso espectadorVira colibri.
Qual! Não sei se é nova ilusão
Se após o salto mortal
Existe outra encarnaçãoMembros de um elenco
Malas de um destino
Partes de uma orquestra
Duas meninas no imenso vagãoNegro refletor
Flores de organdi
E o grito do homem voador
Ao cair em si.Não. Não sei se é vida real
O invisível cordão
Após o salto mortal.
(Chico Buarque e Edu Lobo - O Grande Circo Místico)
Por outro, eu me sinto como o espectador do grande circo: não quero adiar nada para outra encarnação, que eu nem sei se há. Aos 46, ainda sinto-me tão encantada com a magia da vida que, se não botar tino na coisa, sou capaz de virar colibri!
Quando você for convidado(...)Pra ver do alto a fila de soldados pretos,e são quase todos pretosDando porrada na nuca de malandrospretos e ladrões mulatosE outros quase brancos tratados como pretosSó pra mostrar aos outros quase pretos(E são quase todos pretos)E aos quase brancos, pobres como pretosComo é que pretos, pobres e mulatosE quase brancos quase pretos de tão
pobres são tratadosE não importa se os olhos do mundo inteiroPossam estar por um momento
voltados para o largoOnde os escravos eram castigados(...)Não importa nada: (...)Ninguém é cidadão.(...) A grandeza épica de um povo em formaçãonos atrai, nos deslumbra e estimula.E na TV se você vir um deputado em pânico mal dissimulado (...)Se o venerável cardeal disser que vê tantoespírito no feto e nenhum no marginal (...)Pobres são como podres (...)E todos sabem como se tratam os pretos (...)(...) E quando você for(...) apresentar sua participação inteligente (...)Pense no Haiti, reze pelo Haiti:O Haiti é aqui.O Haiti não é aqui.(Caetano Veloso e Gilberto Gil- 1993)
Alô, pessoas! Hoje eu tô tão feliz, mas tão feliz, mas tão feliz!!!... Precisava contar para vocês: é que F I N A L M E N T E saiu a Enciclopédia da Música em Portugal no século XX. E essa alegria toda deve-se ao fato de eu ser autora de duas das entradas - uma sobre o Carnaval e outra sobre o Entrudo. O que são 2 entradas no meio de um total de 1200 entradas distribuídas em 4 volumes? Nada. Mas não é bacana? Gosto de pensar que também é um pouco minha. O lançamento será só no próximo dia 21. E eu adoraria estar lá. Será que vai dar? De qualquer forma, fica o gostinho de rever mais um dos muitos rastros que deixei por aí.Eu ando pelo mundo prestando atenção
em cores que eu não sei o nome
Cores de Almodóvar
Cores de Frida Kahlo, cores
Passeio pelo escuro
Eu presto muita atenção no que meu irmão ouve
E como uma segunda pele, um calo, uma casca,
Uma cápsula protetora
Ah! Eu quero chegar antes
Pra sinalizar o estar de cada coisa
Filtrar seus graus
Eu ando pelo mundo divertindo gente
Chorando ao telefone
E vendo doer a fome dos meninos que têm fome
Pela janela do quarto
Pela janela do carro
Pela tela, pela janela,
Quem é ela, quem é ela?
Eu vejo tudo enquadrado
Remoto controle.
Eu ando pelo mundo e meus amigos, cadê?
Minha alegria, meu cansaço?
Meu amor cadê você
Eu acordei
Não tem ninguém ao lado.
Meninos no lixão em Irecê, Bahia. Foto de Raphael Paiva.
Molecada do lixão, Irecê, Ba. Foto de Raphael Paiva.
Índios da reserva Inhacapetum, em São Miguel das Missões, RS. Foto de Raphael Paiva.