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sábado, 17 de abril de 2010

Que língua é essa?!

Eu agora tenho quatro vasos no meu banheiro. Ou casa de banho, como queiram meus amigos portugueses. Afinal, para eles, o banheiro era o gajo que acompanhava as senhoras ao banho de mar para que não se afogassem ou resolvessem passar mal justo na hora de pular a onda. O tipo ainda existe, acreditam? Encontrei essa foto no site do A. Jorge, que até explica como funciona, digo, como trabalha um banheiro.

Banheiro de São Bartolomeu do Mar - Portugal
Vendo as coisas por este ângulo, eles provavelmente diriam que eu tenho apenas três vasos na minha casa de banho, porque o quarto seria a sanita. Tá bem, vaso ou sanita... não chega a ser verdadeiramente um problema. Mas falar de um banheiro com um vaso, deve soar aos ouvidos lusos como algo mais ou menos assim:
Ou pior. Assim, talvez:
Deste modo, o que deveria ser uma simples postagem, acaba virando uma coisa complicada, se considerarmos que ela possa ser lida por leitores da língua portuguesa de localidades diversas. Quanto a mim, ainda não entendi muito bem se viver em Portugal aumentou meu vocabulário ou baralhou irremediavelmente as minhas ideias. Se calhar, ampliou meu entendimento, mas pioreceu meu explicamento, melhormentemente falando. Saudades do prefeito d'O Bem Amado?!

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Contos de fadas

Era uma vez uma senhora muito feia simpática...A cada manhã, a bruxa má ela abria sua janela para maldizer bendizer a vida.
E a seguir, fazia a pergunta do costume:
_ Espelho, espelho meu... existe alguém mais bela do que eu?
Claro... vocês já estão carecas de conhecer essa história... vamos então ao resumo da ópera:
Foi assim que a bruxa má vovó largou sua vassoura e foi falar com a Branca de Neve. Estava um lindo dia, e os anões nem tinham ido trabalhar.
A surucucu sanguinolenta avózinha propôs fazerem um baile, onde seu feitiço a felicidade reinaria, e Branca de Neve dormiria viveria eternamente. Mas desde que o mundo é mundo e os contos de fadas são contos de fadas, o feitiço sempre sai pela culatra. Ou seria o tiro que pega sempre no feiticeiro? Sei lá... sempre baralho um pouco essa parte...
O que importa é que deu tudo errado, e quem acabou dormindo foi o príncipe encantado!

A perversa caninãna boa velhinha ainda tentou dar um passe de descarrego abençoar a linda menina com palavras que ela aprendera no livro de São Cipriano intuitivamente:
_ Sai desse corpo, que ele não lhe pertence!

Mas é óbvio que quem nunca estudou magia como se deve, só fez um workshop de 40 horas com a Madame Mim, nunca chegará a feiticeira!
E foi assim que a Branca de Neve viveu feliz para sempre com os 7 anões, e a avó da Carolina ficou ainda mais feia e boba alegre e gentil.
Vitória, vitória, e acabou-se a história!

sábado, 10 de abril de 2010

Mudanças

_ Mãe, um dia você compra para mim um daqueles negócios assim meio quadrados de por nos pés?
_ O quê?
_ Que a gente põe nos pés para andar...
_ Patins?
_ Não... Aquelas coisas de madeira...
_ Hã? Que coisas?
_ Aquilo, mãe, que a gente fica mais alto?...
_ Perna de pau?
_ Não, mãe! Aquilo assim, ó: (e fazia sinais com as mãos em baixo dos pés tentando fazer um resumo tridimensional do que queria dizer).
_ Ah! Filha... onde é que você viu isso? A mãe não tá entendendo... Explique lá de outra maneira...
_ Espera... (correu no quarto e foi fazer o desenho... É. Comigo às vezes tem que ser assim: só mesmo fazendo um desenho! Voltou toda esbaforida com o papel na mão). Olha. Isso:

_ Um dia você me compra um desses, mãe?

Ha ha ha ha ha... Gente! A minha filha quer uns tamancos! Uns sapatos de salto alto! Essa plataforma aí é de deixar qualquer Carmen Miranda no chinelo, literalmente!!! Uau! Tá ficando crescida ...
Lá fomos as duas, no dia seguinte, buscar os tão sonhados tamancos numa loja. Ela parecia vitoriosa e se pavoneava toda sorridente e orgulhosa do novo adereço. Quem não se lembra de ter vivido um dia essa emoção? Ah! Como é lindo descobrir o mundo!
Amanhã nos mudamos de apartamento, a pedido dos vizinhos de baixo, que não suportaram o ploc ploc ploc ploc ploc ploc ploc ploc ploc ploc ploc ploc ploc ploc ploc ploc ploc ploc... ... ... ... ... ... A intolerância ainda vai extinguir o ser humano do planeta.

domingo, 4 de abril de 2010

Esperando visita

O coelhinho da Páscoa me contou que esse sorriso Ney Matogrosso não dura muito.
Então aproveitei a velha ladainha "Mãe, eu quero costurar!" e ensinei-a a fazer esses saquinhos:

Ela costurou a borda superior de modo a passar a fita depois e eu fiz uns alinhavos grandes para prender o bolsinho de dente no saquinho.
Assim, ficou mais fácil para ela costurar o dente todo à volta, sem que o danado fugisse. Existe alguma coisa melhor do que criança entretida?!
Acho que vocês já estão a perceber qual o objetivo do saquinho, não?
É isso aí: estamos nos preparando para receber a Fada dos Dentes!
Quando o dentinho ficar mole e cair, é só colocá-lo dentro do bolsinho em forma de dente. Depois, à noite, colocamos o saquinho debaixo do travesseiro quando formos dormir...
De madrugada, a Fada dos Dentes leva o dentinho que caiu embora e faz sumir todos os bibãos (mamadeiras) que por acaso ainda existirem na casa. Ela faz isso para que nenhum dos dentes novos cresçam tortos. Sim, porque ela traz um novo dente lindo!!!!
E não é só: para que a criança não fique triste com uma janelinha no sorriso enquanto o dente novo não acaba de nascer, ela deixa dentro do saquinho uma prendinha qualquer: pode ser um colar novo, um anel, um brinquedinho, ou até mesmo umas moedas bem reluzentes!
A Fada dos Dentes é mesmo muito legal. Por isso, a gente não pode perder o dentinho que cai. Então, esses saquinhos são mesmo uma boa ideia para ela encontrar o dente rapidinho. No outro dia, nós também encontramos o presente logo: é só colocar a mão por baixo da almofada e lá está o saquinho recheado com alguma surpresa.
Acabada essa parte da costura, é só retirar os alinhavos e fechar as laterais.
Depois de fechado, é só passar a fita.
Assim, a prendinha não cai pela cama, e nem amanhece toda amarfanhada.
Que acharam da produção que a Carolina dedicou à Fada dos Dentes?
Não ficou simpático? Será que ela vai gostar?

sábado, 3 de abril de 2010

Tapete de serragem

E foi assim que cheguei à conclusão de que já estava na hora de ter o nosso próprio tapete. O espetáculo era Passos das Paixões. Não a paixão de Cristo, mas as paixões humanas.
No tapete, não os símbolos da igreja, mas a simbologia dos amores: dois corações, flores, a lua e a estrela...
Ah! Se esta rua fosse minha!... Eu mandava, eu mandava ladrilhar. Mandava nada: mandava era estender um tapete de serragem colorida, que mineiros de fé inabalável vararam dias recolhendo, tingindo, secando, armazenando...
O local escolhido? Igrejinha de Santa Rita, já então transformada em Museu de Arte Sacra de Uberaba.
Afinal, cada um sabe qual é a cruz que carrega, não?
As canções? Todas aquelas em que o amor brotasse por entre as colcheias...
Era um fim de tarde especial. O trabalho conjunto preparava o espírito para o que vinha no espetáculo da noite. Ali fizemos nossa concentração.
Tudo o que queríamos, era que o público percebesse que fizemos todo aquele tapete para recebê-los. Depois de adentrar o recinto, o tapete iria aos poucos sendo desfeito, porque lá dentro seria encenada cada uma das estações do amor. Cada qual com seu sentimento inerente: a surpresa da descoberta, a sensação de estar no céu, a perda, a separação, a saudade...
O tapete de Passos das Paixões foi mais uma obra do efêmero em nossas vidas. Mas foi inesquecível!
Alôôô! Alguém viu algum mineiro com chapéu de luz trabalhando?! Que ideia fazem de nós!
Então depois eu conto qual foi a cara dos funcionários da limpeza quando chegaram para trabalhar no Museu no outro dia... ahahhahaha Mentira! Porque à noite, para expiar nossos pecados, estivemos a limpar tudinho, tudinho. Na MESMA NOITE, após a saída do público. Como se não fosse suficiente toda a produção até ali! E devo dizer que, para mal dos negócios, um público nunca demorou tanto a sair da cena do crime! Tivemos até que colocar as vassouras atrás da porta!

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Semana Santa em Minas

Acho que o feriado que eu mais gosto é o da Semana Santa. Isso está no DNA do mineiro. Certa feita, conversando com um amigo português, eu contei-lhe que era mineira e ele rindo-se disse que adorava nos imaginar com aqueles chapeuzinhos.
_ Quais chapéus?
_ Aqueles, dos mineiros.
_ ?! (Vocês entenderam alguma coisa?! Nem eu.) Qual é o chapéu dos mineiros?
_ Aquele, das luzinhas.
_ ??!!!!!! Que luzinhas?!!!
_ Aquele tipo de capacete que as pessoas que trabalham nas minas usam com uma luz para iluminar o caminho!
_ Ahnnnn!
Pois é. Aquele português não entendia nada de mineiros mesmo. Ou se um dia entendeu, foi lá pelo século XVIII, quando andaram a trazer o ouro e os diamantes das Minas Gerais (e não só) para Portugal. Mas ao que me consta, naquela época eles nem usavam os capacetes com luzinhas... Enfim, de onde ele tirou essa ideia?!
Assim, para que ninguém incorra neste tipo de erros, vou lhes contar agora uma das autênticas características dos mineiros: é um povo com uma religiosidade inerente, tão difusa no seu cotidiano, que nem nos damos conta. Isso independe de uma religião institucionalizada ou mesmo de uma entidade qualquer. Mesmo alguém que se considera totalmente descrente pode jurar ser ateu, graças a Deus!
Mineiro gosta de procissão, de por as colchas na janela, de enfeitar as ruas com infinitos tapetes de serragem colorida, acender vela, manter sempre um vasinho de flores para a santa no oratório... Claro, para se garantir, também frequenta um terreiro, lê toda a literatura espírita, joga flores nas cachoeiras para Iemanjá no Ano Novo... Não importa. O importante é ter fé. O mineiro é um ser humano de fé.
Então, esteja eu onde estiver, quando chega a época da Semana Santa, Minas me chama. Fico lembrando-me que está na altura de preparar o tapete, que devem estar cantando essa ou aquela outra obra na igreja tal, que costelinha com carolo de milho e ora pro nobis é uma delícia!!!... Ai, saudades da culinária mineira! Claro, isso é só na Páscoa!!! Antes, há que jejuar. Sábado da aleluia é dia de assombração. Malhação do Judas... Sexta-feira tudo é pecado! A procissão do enterro... Mas lembrei do prato típico, porque só mesmo Minas para ter uma erva para se colocar na comida com o nome de ora pro nobis. Você já provou?! É por isso que, quando um prato é muito bom, o mineiro diz que é de comer rezando. Rezando para livrar um pouco o pecado da gula... sei lá... Há quem diga que gastronomia é comer olhando para o céu. Eu prefiro comer rezando para aliviar a culpa.
Essas fotos, que não são lá grande coisa, são da confecção do tapete para a procissão do Domingo de Páscoa em Ouro Preto. Feitas na madrugada de Sábado para Domingo. Quando a procissão passa, pisando o tapete, vai desfazendo todo o trabalho da noite. Mas antes disso, ninguém pode pisar. Assim, parte dos moradores está ocupada em fazer o tapete, outra parte se encarrega de vigiá-lo para que nada ou ninguém possa desfazê-lo antes da hora.
Para aguentar o frio da madrugada, nada como um bom garrafão de vinho e muita música. Canta-se a noite toda. O que cantam? Serestas. Coisas como "Elvira escuta", "Lua branca", "Rosa", e tudo o mais que alguém se lembrar, afinal é música para durar a noite toda... Começa com 2 ou 3 músicos e, à medida que tocam margeando o tapete, outros músicos profissionais e amadores vão se juntando.... quando o dia está a amanhecer, quase toda a cidade já engrossa o cordão improvisado de cantores e músicos.
É por isso que eu adoro essa época. Semana Santa em Minas é de lavar a alma! Todos os mineiros o sabem. E NORMALMENTE não dizem a ninguém. Assim, ficam me devendo essa, ok?

terça-feira, 30 de março de 2010

Testemunha ocular

Algumas coisas me dão um prazer indescritível:
ver a vida brotar,
renascer,
desabrochar,
e eclodir numa manifestação intensa de formas e cores.
Não é fantástico poder ser testemunha
de um acontecimento mágico destes?!