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terça-feira, 27 de abril de 2010

Mais um rastro do caracol

De vez em quando me deparo com mais um rastro deixado por aí... desta vez foi um querido amigo quem guardou durante anos esta singeleza de 1989, desenhado num pedaço de madeira.
E eu já nem me lembrava mais... Se eu virar uma velhota cheia de lacunas na memória, com certeza meus amigos não terão sido os responsáveis! Obrigada, Lucas.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Semana Santa em Minas

Acho que o feriado que eu mais gosto é o da Semana Santa. Isso está no DNA do mineiro. Certa feita, conversando com um amigo português, eu contei-lhe que era mineira e ele rindo-se disse que adorava nos imaginar com aqueles chapeuzinhos.
_ Quais chapéus?
_ Aqueles, dos mineiros.
_ ?! (Vocês entenderam alguma coisa?! Nem eu.) Qual é o chapéu dos mineiros?
_ Aquele, das luzinhas.
_ ??!!!!!! Que luzinhas?!!!
_ Aquele tipo de capacete que as pessoas que trabalham nas minas usam com uma luz para iluminar o caminho!
_ Ahnnnn!
Pois é. Aquele português não entendia nada de mineiros mesmo. Ou se um dia entendeu, foi lá pelo século XVIII, quando andaram a trazer o ouro e os diamantes das Minas Gerais (e não só) para Portugal. Mas ao que me consta, naquela época eles nem usavam os capacetes com luzinhas... Enfim, de onde ele tirou essa ideia?!
Assim, para que ninguém incorra neste tipo de erros, vou lhes contar agora uma das autênticas características dos mineiros: é um povo com uma religiosidade inerente, tão difusa no seu cotidiano, que nem nos damos conta. Isso independe de uma religião institucionalizada ou mesmo de uma entidade qualquer. Mesmo alguém que se considera totalmente descrente pode jurar ser ateu, graças a Deus!
Mineiro gosta de procissão, de por as colchas na janela, de enfeitar as ruas com infinitos tapetes de serragem colorida, acender vela, manter sempre um vasinho de flores para a santa no oratório... Claro, para se garantir, também frequenta um terreiro, lê toda a literatura espírita, joga flores nas cachoeiras para Iemanjá no Ano Novo... Não importa. O importante é ter fé. O mineiro é um ser humano de fé.
Então, esteja eu onde estiver, quando chega a época da Semana Santa, Minas me chama. Fico lembrando-me que está na altura de preparar o tapete, que devem estar cantando essa ou aquela outra obra na igreja tal, que costelinha com carolo de milho e ora pro nobis é uma delícia!!!... Ai, saudades da culinária mineira! Claro, isso é só na Páscoa!!! Antes, há que jejuar. Sábado da aleluia é dia de assombração. Malhação do Judas... Sexta-feira tudo é pecado! A procissão do enterro... Mas lembrei do prato típico, porque só mesmo Minas para ter uma erva para se colocar na comida com o nome de ora pro nobis. Você já provou?! É por isso que, quando um prato é muito bom, o mineiro diz que é de comer rezando. Rezando para livrar um pouco o pecado da gula... sei lá... Há quem diga que gastronomia é comer olhando para o céu. Eu prefiro comer rezando para aliviar a culpa.
Essas fotos, que não são lá grande coisa, são da confecção do tapete para a procissão do Domingo de Páscoa em Ouro Preto. Feitas na madrugada de Sábado para Domingo. Quando a procissão passa, pisando o tapete, vai desfazendo todo o trabalho da noite. Mas antes disso, ninguém pode pisar. Assim, parte dos moradores está ocupada em fazer o tapete, outra parte se encarrega de vigiá-lo para que nada ou ninguém possa desfazê-lo antes da hora.
Para aguentar o frio da madrugada, nada como um bom garrafão de vinho e muita música. Canta-se a noite toda. O que cantam? Serestas. Coisas como "Elvira escuta", "Lua branca", "Rosa", e tudo o mais que alguém se lembrar, afinal é música para durar a noite toda... Começa com 2 ou 3 músicos e, à medida que tocam margeando o tapete, outros músicos profissionais e amadores vão se juntando.... quando o dia está a amanhecer, quase toda a cidade já engrossa o cordão improvisado de cantores e músicos.
É por isso que eu adoro essa época. Semana Santa em Minas é de lavar a alma! Todos os mineiros o sabem. E NORMALMENTE não dizem a ninguém. Assim, ficam me devendo essa, ok?

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Esportes radicais - a sequela

Num Inverno destes, é preciso encontrar motivações em dobro para querer ir às aulas. Ainda bem que as escolas daqui sabem disso...
O primeiro trenó a gente nunca esquece! Nem a Carolina vai esquecer: neste dia, as crianças todas deviam levar seu próprio trenó à aula. Era dia de esportes. Esportes de inverno, claro. Foram para uma colina se desembestar ladeira abaixo com seus pequenos aparelhos assassinos. Ela disse que aquilo anda numa velocidade louca! Muitos tombos depois, um torcicolo e muitas dores nas costas, voltou para casa com aquele sorriso indefectível na cara que, por mais que eu lhe esfregue na hora do banho, depois de uma semana ainda não saiu totalmente. Pensando bem, nem sei se isso um dia sai. Afinal, de vez em quando eu ainda diviso no espelho vestígios daquele riso doido que dei há dezenas de anos atrás, enquanto descia desgovernada o asfalto íngrime perto de casa, montada num carrinho de rolimã não menos letal. O sorriso só esmaece um pouco quando lembro que o Jorge, ao comprar o dito trenó, escolheu-o porque suportava um peso de até 100 kg. Daí eu faço as contas: se minha filha só pesa 20 kg, PARA QUÊ UM TRENÓ PARA 100 KG??!!!! Alguém aí quer sugerir no quê meu marido pode estar pensando?!!!

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Carta de amor, vírgula!

Naquela época eu devia ter a idade que minha filha tem hoje... lembro-me que a escrita para mim era um mistério que eu andava louca por desvendar. Foi por isso que achei que aquele conselho, vindo de uma tia que eu achava tão bacana, e que parecia mesmo saber das coisas, era um conselho para ser guardado pela vida inteira.
Afastando um pouco o pó da memória, vem-me a imagem clara da tia Maria Helena com uma carta na mão, retirando um papel todo escrito - frente e verso, de dentro de um envelope. Ela ainda era solteiríssima e namoradeira o bastante para escrever cartas de amor aos seus muitos namorados. Aquelas palavras todas desfilavam diante da minha imaginação e eu pensava entrementes: um dia ainda hei de escrever cartas de amor! Muitas. Cheias de vírgulas.
Acompanhava a sua maneira cuidadosa de colar o selo no envelope ainda aberto, quando a tia me deu o papel escrito e disse:
_ Toma, Rejane. Distribui aí algumas vírgulas.
_ ... eu ainda não sei escrever, tia Mareléna.
_ Não precisa... põe aí em qualquer lugar.
_ Pra que?
_ Pros moços ficarem pensando que a gente é inteligente! Depois que a gente escreve tudo o que quer, a gente deve sempre distribuir umas vírgulas na carta, que é para eles verem que a gente sabe escrever bem. A pessoa que sabe escrever bem usa muitas vírgulas nas cartas.
_ Ah. Tá bom...
E assim o fiz, pondo uns daqueles risquinhos que ela me ensinara e pensando como é que alguém poderia dar atenção a uns negocinhos tão insignificantes, daquele tamaninho... Achei aquela revelação tão importante que me concentrei no fato de que nunca deveria esquecê-la dali por diante.
Agora, avaliando melhor, verifico que o truque não deve ter surtido muito efeito. Afinal, a tia não se casou com aquele namorado. Na foto abaixo, ela aparece mais tarde, no dia de seu casamento com o único ser capaz de entender as suas regras de pontuação. Pela minha cara, no canto direito da foto, vocês podem imaginar a desconfiança com que eu assistia àquilo tudo:
No entanto, volta e meia, todo 1º de Janeiro, o antigo conselho me volta à lembrança, porque é o dia do aniversário da tia Maria Helena.
E se eu pudesse hoje fazer alguma recomendação importante a algum sobrinho meu, eu certamente diria:
NUNCA CONFIE, NUM,, ANIMAL QUE SANGRA, POR, QUATRO DIAS INTEIROS,, SEGUIDOS, E NÃO, MORRE! eh eh eh eh
Valeu pelos conselhos, tia Mareléna! Feliz Aniversário!

domingo, 20 de dezembro de 2009

Leão Léo

Eu dava aulas de canto para uma garotinha maravilhosa chamada Ylana. Tinha 7 anos naquela época. Deixei-a sugerir o tipo de repertório que gostaria de cantar, para fisgá-la desde o primeiro instante. Ela disse que, "apesar de cantar muita bossa nova por influências de papai" (adorei!), preferia Caetano Veloso. Perguntou se podia cantar "O Leãozinho", ao que eu anuí prontamente.
Sabem qual é essa música, não?
Gosto muito de te ver, leãozinho
Caminhando sob o sol
Gosto muito de você, leãozinho
Para desentristecer, leãozinho
O meu coração tão só
Basta eu encontrar você no caminho.
Um filhote de leão raio da manhã
Arrastando o meu olhar como um imã
O meu coração é o sol, pai de toda cor
Quando ele lhe doura a pele ao léu.
Gosto de ficar ao sol, leãozinho
De te ver entrar no mar
Tua pele, tua luz, tua juba
Gosto de ficar ao sol, leãozinho
De molhar minha juba
De estar perto de você e entrar no mar.
Algumas aulas depois, logo depois do aquecimento, eu lhe perguntei por qual música queria começar. E ela disse-me:
_ A música do Léo.
Eu, maluca, corri mentalmente todo o repertório para ver se estávamos a cantar qualquer coisa do Léo Jayme, ou outro assim... Será que estava tão confusa a esse ponto?! Não... não tinha nenhum Léo no repertório... Então lhe perguntei:
_ Que Léo, Ylana?
_ Ora... o leãozinho.
_ ... você arranjou um apelido para o leãozinho, foi?
_ Não, oras. É o nome dele (com toda a segurança do mundo). Ele se chama Léo.
_ Como foi que você descobriu isso?!
_ Está na música!
_ Onde (revirando toda a letra para encontrar a pista)?
E ela então cantou a plenos pulmões:
«(...) Quando ele lhe doura o pé, Leão Léo».

sábado, 5 de dezembro de 2009

Meu pé de laranja lima

Meu avô tinha um pé de laranja lima que era mais do que uma árvore no quintal: era uma amiga da vida inteira. Sempre que eu lá ia, havia o momento de sentarmos juntos e, no meio daquela prosa boa, sem pressas, que só os mineiros sabem ter, meu avô sacava o velho canivete e descascava uma, duas,... três laranjas lima. Ah! Que perfume! Que sabor raro! Que prazer indescritível. Foi assim durante anos a fio. Considero esta uma das frutas mais exóticas do planeta. Se calhar há por aí alguma terra onde esta espécie brota que nem erva daninha. Mas eu nunca mais encontrei um pé de laranja lima. Para mim, laranja lima sabe àquelas tardes únicas de jogar conversa fora enquanto a ampulheta do tempo se debruçava no parapeito da janela verde com ferrolho. Tenho imensa vontade de provar deste fruto novamente para ver se ele serve para matar as saudades que tenho do avô Plínio.

domingo, 22 de novembro de 2009

Ensinamentos de mãe

Com minha mãe aprendi os ensinamentos mais imprescindíveis da vida. Dentre eles, talvez o mais importante tenha sido: "Bata no seu marido todo dia. Se você não sabe porque está batendo, ele com certeza saberá porque está apanhando!"
Força aí, mãe!

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Não pula!

A Carolina sempre foi um poço de erudição.
Com apenas 2 anos de idade ela já me dava "bailes" no uso do português correto.
Um dia, brincávamos juntas na piscina com um pequeno tubarão de borracha, eu lhe perguntei:
_ Carolina, onde está o tubarão?
_ Pu-lo na água, mamãe.
_ Não pula, Carolina. A piscina é funda, tu vais beber água. Cadê o tubarão, filha?
_ Pu-lo na água, mamãe.
_ Não pula, filha. É perigoso. Onde está o...
Bem... poderíamos ter passado a tarde toda nos desentendendo se, de repente, eu não me desse conta de que ela estava a dizer "pu-lo" (colocar o objeto) e não "pulo" (salto).
Também... quem é que ia imaginar que uma garotinha assim tão pequenina iria utilizar formas tão elaboradas de falar?! Em que página do manual isto estava escrito? Ai, meu São Camões, me acode!

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Noite inesquecível no Cabo Espichel

Não posso deixar de agradecer ao João o link excelente que postou nos comentários aqui do blog. Obrigadíssima, João! Já pesquisei "trocentos" sites sobre o bordado Madeira, mas este, de fato, é maravilhoso e eu ainda não o conhecia! Como reconhecimento pela sua generosidade, posto aqui esta foto de outros tempos, num luau que fizemos num mosteiro abandonado do Cabo Espichel. O autor da proeza é o que está de pé, de óculos e barba. Ah-há! Vocês pensavam que os portugueses gostavam somente de fado?! Pois estão redondamente enganados. Depois eu conto o que nós estávamos a cantar neste dia.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Flanando por Lisboa 2

No Rossio, em Lisboa, quase de frente da estátua de D. Pedro IV (para quem não está ligando o nome à pessoa: o nosso D. Pedro I, no Brasil), fica o café Nicola. Este era um dos pontos preferidos de Bocage e também de Domingos Caldas Barbosa. Este último foi considerado um dos maiores propagadores da Modinha em terras lusas. E não foram poucos os ataques que lançaram um ao outro, com direito a ofensivas pouco nobres de ambas as partes. É mais um reduto cultural que não se pode deixar de visitar. Repare bem na placa afixada por cima, no 1º andar, que eu assinalei com a seta em vermelho:
Sabe o que diz? Que ali, no primeiro piso, morou nada menos que Eça de Queiroz. Tenho ou não tenho razão para adorar esta cidade? Sinto-me revitalizada de caminhar por estes lugares impregnados de história. Lisboa me inspira e me comove. Posso ler seus autores como se eu também fizesse parte do cenário. Não há privilégio maior para um espectador, do que pensar todas as cenas de dentro do próprio palco.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Flanando por Lisboa

Alô, caros visitantes que por aqui erram. Peço desculpas pelo abandono deste blog durante alguns dias, mas tive que reabastecer meu espírito. É que as saudades de Portugal já me faziam estragos na alma e lá fui eu rever a terrinha. Estive naqueles lugares que fazem meu coração bater mais forte e assim, passo a compartilhar algumas das minhas alegrias nestes poucos dias que se passaram. Desci na nova estação do metro do Terreiro do Paço em Lisboa e um forte cheiro a maresia tomou conta de tudo. Para quem andava enregelando em meio ao Outono das montanhas suíças, isto caiu-me como uma benção nos ossos. Que calorzinho bom! Daí foi só deixar-me guiar pelo instinto e vejam onde meus passos me conduziram: Reconhecem?! Sim... lá no fundo... o Martinho da Arcada.
Para quem ainda não teve o prazer de conhecer, o Martinho da Arcada é um Café Restaurante que foi muito frequentado por Fernando Pessoa. Sítio agradabilíssimo, onde também se pode tomar um bom porto ou uma boa ginja (não é, Rachel?), enquanto se observa o movimento dos transeuntes. Ainda hoje ocorrem muitas tertúlias por lá, que nós brasileiros chamamos de saraus literários.
Não pude deixar de pensar numa nova amiga que fiz aqui na Suíça, a Adriana, com quem partilho alguns gostos literários. A propósito, amiga, consegui o nosso "Caim" e, como sempre, o Saramago não deixa nada a desejar. Que me perdoem os polémicos defensores (ih, voltei escrevendo português de Portugal!)..., digo, que me perdoem os p.o.l.ê.m.i.c.o.s defensores da Igreja, mas sei reconhecer um grande escritor quando o leio. Ave, Saramago!
Ir a Portugal, é se embrenhar no melhor do que há na literatura. Ali passeia-se pelos cenários do Eça, frequenta-se os cafés por onde andaram a pegar-se o mulato Caldas Barbosa e Bocage, vê-se a casa de Cesário Verde, Mário de Sá Carneiro, come-se um pastel de bacalhau na Brasileira ao lado de um qualquer dos heterônimos de Pessoa. Como não apaixonar-se?
Ai, Portugal... Eu estava com saudades.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Domini cani

Fiz esse desenho numa época em que eu ainda tinha tempo e paciência para ficar pescando detalhes nas fachadas.
É a Igreja de São Domingos, em Uberaba. Com ela, de alguma forma, meu destino se entrelaçava: lá meu pai foi coroinha. Muitos anos mais tarde eu viria a cantar ou reger em concertos. No antiga casa paroquial ensaiei durante muitos anos o Coral Cidade de Uberaba, convertida em sede da Fundação Cultural do município. A igreja sempre na janela.
Tantas lembranças, tantas memórias... um dia de blecaute total e as estrelas se acendendo surpreendentemente... Um concerto memorável com os bancos todos reorganizados e voltados para o centro, com poemas de Adélia Prado pelo meio... Tantos amigos, tanta alegria, que posso dizer que não virei irmã dominicana porque essa não era a minha sina.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Duas dálias

Minha avó Engrácia adorava dálias. Amava estas flores de cores esfuziantes e exageradas. Era a cara dela. Então acho esta foto muito curiosa, porque nela, apesar de estar meu pai e minha mãe, eu vejo também a minha avó, que já nos deixou há muitos anos. Esquisito, né? Parece que a gente se perpetua através do nosso gosto.

sábado, 19 de setembro de 2009

Rendas no teto

Ó menina, vai ver nesse almanaque
como é que isso tudo começou
Diz quem foi que fez o primeiro teto,
Que o projeto não desmoronou?
Quem foi esse pedreiro, esse arquiteto,
E o valente primeiro morador?
("Almanaque" , de Chico Buarque)

Teto de Hotel em Moura, Alentejo, Portugal

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Retrato em P&B

Eles eram um bando de magrelas. E o tio Cesar ainda tinha cabelos!E o João Calaça?! Já tinha cara de ídolo!
O Dudu nem bebia cerveja: acho que era de menor! Olha só a esbelteza...
Depois dizem que o tempo sabe passar e eu não sei: mentira!
Fiquei foi passada com essa foto! ha ha ha ha ha

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Vou lembrar o Síndico

Acabei de ouvir o comovente audiolivro que conta a vida do Tim Maia. Chama-se Vale tudo, e foi escrito pelo Nelson Motta. Lá pelo último capítulo, comecei a adiar a escuta. Geralmente é o contrário: quando o fim se aproxima, eu acelero a leitura, os acontecimentos vão se precipitando e não se consegue parar de ler ou ouvir. Nesse caso, eu fui ficando tão mais apaixonada pelo personagem que, pressupondo que a biografia só podia terminar com sua morte, fiquei tentando retardar esse momento. Como se assim pudesse salvá-lo.

Lembrei-me que numa exposição em 1994 eu havia lhe feito uma pequena homenagem. Este foi o único trabalho que me restou e o tenho ainda hoje em casa.

Essa exposição falava da degradação urbana, com seus grafites, seus cartazes do tipo lambelambe, suas alterações e acrescentes introduzidos pela própria população... enfim... o quanto nós contribuíamos para enfeiar nosso meio urbano. Mas na hora de escolher um falso cartaz para colar na obra, eu pensei em citar um músico que eu realmente gostasse de ouvir. Não queria fazer propaganda de um músico que eu não gostasse. Resolvi inserir no trabalho uma pista de um som que eu achasse bacana. E eu andava apaixonada pelo Síndico Tim Maia. E nas noitadas, juntava-me aos amigos para dançar e 'interpretar' com gestos as suas músicas. Era uma delícia!

Agora, passados 15 anos, depois de conhecer um pouco mais da sua vida, eu o acho ainda mais bacana. E gosto infinitamente da sua música. Sua interpretação da besta em O Grande Circo Místico, de Chico Buarque e Edu Lobo, é uma contribuição antológica para a Música Popular Brasileira. Para não falar de tantas outras.

Grande intérprete, grande compositor, swing incomparável,... melhor para dançar não há.

domingo, 6 de setembro de 2009

Atendendo a pedidos

A família Tralalá adorava passear na Estação Mogiana. Esse era um programão! A época da Maria Fumaça mal acabara... Veja a pose do pequenino. Quem ele pensava que era?!

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

O filósofo da família

Algumas pessoas são incontornáveis em nossa vida. Tia Ziza é uma delas. Sabe aqueles momentos em que ninguém sabe mais o que dizer? Pronto: Tia Ziza tem a palavra certa, o conforto, a sabedoria, o pensamento exato para expressar tudo o que sentimos. É uma verdadeira filósofa formada pelas intempéries de sua longa existência. Afinal, quem mais poderia dizer coisas como "Para morrer, basta estar vivo." Ou ainda "Está morrendo gente que nunca morreu antes". Eu sempre ficava envolta em sua última frase, com o pensamento perdido. Apesar de inicialmente parecer uma constatação básica, com o tempo fui me apercebendo da profundidade de seu pensamento. Levo as vezes dias, meses, matutando no sentido abissal de suas palavras. Fico abismada com sua capacidade. Prometo que vou lhes proporcionar a oportunidade de conhecer mais de perto essa grande pensadora contemporânea. Hei de trazer outras pérolas que só Tia Ziza é capaz de dizer. Afinal, todos nós temos o direito de ter um filósofo na família. Se você, no entanto, estiver muito angustiado, não se acanhe: ligue para ela agora. Ela saberá lhe dar uma palavra amiga.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Fechado para obras

Eu não digo que meus amigos são todos umas figuras?! Esse um aí acima, fechou para obras há 4 anos! Cansou-se de não entender os outros, matriculou-se num curso de Psicologia e só reabre quando concluir os estudos. Agora, com o suporte de Freud, Lacan, Moreno, Jung e todo o olimpo, acho que vou vê-lo novamente. Deixa disso, Osvaldo! 'mbora de novo para Ouro Preto, que "na estrada de Santos você vai me conhecer"!

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Sapato velho

Guardei os 3 sapatinhos que a Carolina usou quando aprendeu a andar, porque achei que seria engraçado um dia ela poder olhar para eles... São dois pares de tênis, um vermelho e um na cor natural, que ficaram tão acabados, mas tão acabados, que parece que foram à guerra. O outro, era um sapatinho vermelho, usado nas ocasiões especiais. Ela ficava mesmo lindinha com eles... Só que eu não tinha ideia do que ia fazer com aquilo. Acabei por decidir colocá-los em 3 quadrinhos, formando um composé, que hoje fazem parte da decoração do quarto dela.
Usei daquelas molduras altas, com vidro e forrei o fundo com papel de parede.

Esse par é o mais acabado. Acho que ela deve ter feito uns 80 km com ele! Vai, volta, cai, levanta, arrasta, balança as pernas... eita! que custo que é aprender a andar!

E esse foi a Tia Marieta que deu. Mandou pela Vanuza. Se ela já a conhecesse pessoalmente, nem assim ela teria acertado tanto na prenda. Era a cara dela!

"Você lembra, lembra?... /Eu costumava andar bem mais de mil léguas pra poder buscar/Flores de maio azuis e o teu cabelo enfeitar./ (...) É talvez eu seja simplesmente como um sapato velho/ Mas ainda sirvo, se você quiser/ Basta você me calçar, e eu aqueço o frio dos teus pés."
Os sapatos da infância nos aquecem a alma.