terça-feira, 10 de novembro de 2009

Paredes de caixas

Adoro lojas e confeitarias antigas. A maneira como dispunham seus produtos quase sempre são uma grata surpresa. Veja esta loja de calçados, por exemplo:
Fica na rua por trás do café Nicola, que já mencionei aqui. As paredes são todas feitas de caixas que foram fabricadas de propósito, todas brancas, iguaizinhas, com uma 'janela' de identificação e puxador.
Eu seria capaz de passar tardes inteiras a puxar cada uma delas para descobrir os sapatos que há dentro! Parece que não vão se repetir nunca! Parece também que serão todos de outras épocas... Já pensou num closet com uma parede dessas? Uau! Baixou-me uma Imelda Marcos!!! Sai deste corpo, Imelda, que ele não lhe pertence!

sábado, 7 de novembro de 2009

Baba de Caracol

Gente! Tão usando a minha baba!!! Isso me lembra o dia em que eu cheguei em casa, depois de ser informada pela médica da Carolina que ela tinha intolerância ao leite de vaca, e disse ao Jorge que, a partir de então, ela só deveria tomar leite de soja. Ele ficou a pensar e depois me saiu com essa (Não riam!): "Como será que eles fazem para tirar o leite de soja?"
haahahahhahahahahahhahahhaha (desculpem! não resisti!) Fiquei imaginando o gajo sentado ordenhando o grãozinho de soja... aahahahhahahahahahah
Ao ver o anúncio na montra portuguesa (ou vitrine, em bom brasilês), peguei-me a rir sozinha porque, seguindo a mesma linha de raciocínio, eu já podia antever um monte de gente atrás dos caracóis, a raspar do chão os seus rastros para conseguir fazer 100 gr do produto! ehehheheheheehhe
Ih! Será que é contagioso?! : o

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Flanando por Lisboa 2

No Rossio, em Lisboa, quase de frente da estátua de D. Pedro IV (para quem não está ligando o nome à pessoa: o nosso D. Pedro I, no Brasil), fica o café Nicola. Este era um dos pontos preferidos de Bocage e também de Domingos Caldas Barbosa. Este último foi considerado um dos maiores propagadores da Modinha em terras lusas. E não foram poucos os ataques que lançaram um ao outro, com direito a ofensivas pouco nobres de ambas as partes. É mais um reduto cultural que não se pode deixar de visitar. Repare bem na placa afixada por cima, no 1º andar, que eu assinalei com a seta em vermelho:
Sabe o que diz? Que ali, no primeiro piso, morou nada menos que Eça de Queiroz. Tenho ou não tenho razão para adorar esta cidade? Sinto-me revitalizada de caminhar por estes lugares impregnados de história. Lisboa me inspira e me comove. Posso ler seus autores como se eu também fizesse parte do cenário. Não há privilégio maior para um espectador, do que pensar todas as cenas de dentro do próprio palco.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Flanando por Lisboa

Alô, caros visitantes que por aqui erram. Peço desculpas pelo abandono deste blog durante alguns dias, mas tive que reabastecer meu espírito. É que as saudades de Portugal já me faziam estragos na alma e lá fui eu rever a terrinha. Estive naqueles lugares que fazem meu coração bater mais forte e assim, passo a compartilhar algumas das minhas alegrias nestes poucos dias que se passaram. Desci na nova estação do metro do Terreiro do Paço em Lisboa e um forte cheiro a maresia tomou conta de tudo. Para quem andava enregelando em meio ao Outono das montanhas suíças, isto caiu-me como uma benção nos ossos. Que calorzinho bom! Daí foi só deixar-me guiar pelo instinto e vejam onde meus passos me conduziram: Reconhecem?! Sim... lá no fundo... o Martinho da Arcada.
Para quem ainda não teve o prazer de conhecer, o Martinho da Arcada é um Café Restaurante que foi muito frequentado por Fernando Pessoa. Sítio agradabilíssimo, onde também se pode tomar um bom porto ou uma boa ginja (não é, Rachel?), enquanto se observa o movimento dos transeuntes. Ainda hoje ocorrem muitas tertúlias por lá, que nós brasileiros chamamos de saraus literários.
Não pude deixar de pensar numa nova amiga que fiz aqui na Suíça, a Adriana, com quem partilho alguns gostos literários. A propósito, amiga, consegui o nosso "Caim" e, como sempre, o Saramago não deixa nada a desejar. Que me perdoem os polémicos defensores (ih, voltei escrevendo português de Portugal!)..., digo, que me perdoem os p.o.l.ê.m.i.c.o.s defensores da Igreja, mas sei reconhecer um grande escritor quando o leio. Ave, Saramago!
Ir a Portugal, é se embrenhar no melhor do que há na literatura. Ali passeia-se pelos cenários do Eça, frequenta-se os cafés por onde andaram a pegar-se o mulato Caldas Barbosa e Bocage, vê-se a casa de Cesário Verde, Mário de Sá Carneiro, come-se um pastel de bacalhau na Brasileira ao lado de um qualquer dos heterônimos de Pessoa. Como não apaixonar-se?
Ai, Portugal... Eu estava com saudades.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Filho de Peixe, peixinho é.

Eu havia pintado umas porcelanas para minha cunhada Manela tendo os peixes como motivo. (Não que isso tivesse a ver com algum nome de família). No entanto, depois de concluído, encontrei uma outra peça que fazia parte do jogo, mas provavelmente estava em falta no momento da primeira compra. Entreguei-lhe as primeiras, mas fiquei de lhe pintar a última. A ideia era ter uma travessa para se assar uma boa dourada no sal, e outras duas pequenas para os molhos.
A pequenina ficou assim.
As duas pequenas.
A peça maior.
O trio inicial.
A que faltou pintar é mais profunda. Pode levar uma boa salada para guarnecer o peixe.
Passou-se um ano. Um ano que não nos vemos.
Chegou a hora de pagar minha dívida e matar as saudades.
Detalhe do novo peixe, que eu imaginei como uma pescadinha com o rabo na boca.
Os portugueses adoram utilizar essa imagem em suas conversas.
A gente fica se imaginando parado no tempo, não é? Mas veja como o desenho evoluiu neste intervalo. Tem muito mais movimento, não acham?
E assim eu cumpro minha promessa.
E o mais bacana é ver que agora, finalmente a família Peixe ficou completa:
Dois maiores, e duas filhotas. Filho de Peixe, peixinho é.
Ah! Mas este post ainda não acabou. Sabem por que? Porque enquanto eu desenhava na porcelana, a Carochinha, como sempre, puxou um banco e ficou ao meu lado dando seus palpites intermináveis e conversando mais do que a boca. Depois cansou-se e foi sentar-se numa outra mesa que estava nas minhas costas.
Quando eu acabei, olha só o que ela tinha feito:
HA! HA! HA! HA! HA! HA! HA! HA!
Ela me colou! Safada! Nem precisou olhar. Foi de memória!
Diz ela que também já tem uma prenda para levar para a tia Manela
e que ela vai A-D-O-R-A-R!
P.P. (pós post)- Se algum abusado insinuar que EU é que colei da Carolina, que ELA tinha desenhado primeiro, acabou de perder uma amiga! E tenho dito.

Outono na Suíça

Afinal andou Ele tão absorto em sua missão divertida, que entre uma e outra árvore amarela, cada vez mais gostava dos efeitos inesperados.
O comércio acabou por fechar e já não havia mais tempo para comprar tintas. Perdera a hora. Acontece. No dia seguinte, não houve remédio senão lançar mão das cores restantes:
E foi assim que minha rua amanheceu tingida de vermelho.
As pessoas ficaram tão admiradas, pasmas diante de tal ousadia criativa, que a cidade virou um só buxixo de espanto. Causou tanta comoção aquela sucessão de cores, que Deus resolveu, pelo menos uma vez por ano, recriar a mesma sequência de efeitos para deslumbrar os homens e alegrar suas vidas. Para identificar a altura de recomeçar o festival cromático, a Secretaria de Cultura Celestial resolveu denominá-lo de Projeto Outono, totalmente identificado com esta fase de desbunde da Criação.
Há 45 anos que eu vivo. Há 45 anos que, dia após dia, eu reencontro sempre motivos para me abismar diante da Sua Obra.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

As cores que restavam

Naquela fria manhã de Outono, Deus acordou mais cedo, verificou que a cor verde tinha praticamente acabado e pensou:
_ Preciso comprar mais tintas...
O comércio ainda estava fechado àquela hora. E para não ficar parado descansando por toda a eternidade, usou as cores que restavam na paleta:
Conseguiu um resultado surpreendente, não acham?!