domingo, 20 de dezembro de 2009

Leopardo

Criança vê o mundo de uma maneira tão descomplicada, aprende as coisas por mecanismos tão mais simples, que me matam de inveja!
A imagem de uma onça pintada aparece na televisão . Então diz a Carolina:
_ Hei, mãe!!! Olha o leão pardo!!

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Uma árvore de contradições

A árvore de natal de cristais Swarovski foi montada, como já acontece tradicionalmente, na Hauptbahnhof (estação central de trens/comboios) de Zürich. É de uma beleza tão estonteante, mas ao mesmo tempo me leva a uma infinidade de sentimentos tão contraditórios, que não sei o que pensar. Eu explico:
Cada um dos enfeites colocados no pinheiro é constituído por uma peça de cristal de lapidação caríssima. Quando bate a luz, os efeitos nos deixam logo embasbacados. Não há como não pasmar diante de tal beleza.
Veja esse enorme cristal, ao pé da árvore, quase do tamanho de uma abóbora:

Minhas fotos, como sempre, não são lá grande coisa, mas você pode ver tudo melhor neste outro link.
Só uma pecinha destas, medindo 18 X 10 cm, custa cerca de 376€.
Veja. Consegue imaginar? Fazer as contas? Quanto vale uma árvore de natal gigante como esta da Bahnhof?!
Calma... Eu não sou insensível à beleza e à arte. Claro, a lapidação de cristais é uma arte arrojadíssima. E uma das funções da arte é fazer pensar (comigo isto já está funcionando). Também não sou uma pessoa utópica, socialista, comunista, nem qualquer outro 'ista'... Mas não consigo deixar de pensar na canção "Esquadros" da Adriana Calcanhoto:

Eu ando pelo mundo prestando atenção
em cores que eu não sei o nome
Cores de Almodóvar
Cores de Frida Kahlo, cores
Passeio pelo escuro
Eu presto muita atenção no que meu irmão ouve
E como uma segunda pele, um calo, uma casca,
Uma cápsula protetora
Ah! Eu quero chegar antes
Pra sinalizar o estar de cada coisa
Filtrar seus graus

Eu ando pelo mundo divertindo gente
Chorando ao telefone
E vendo doer a fome dos meninos que têm fome

Pela janela do quarto
Pela janela do carro
Pela tela, pela janela,
Quem é ela, quem é ela?
Eu vejo tudo enquadrado
Remoto controle.

Eu ando pelo mundo e meus amigos, cadê?
Minha alegria, meu cansaço?
Meu amor cadê você
Eu acordei
Não tem ninguém ao lado.

E é do meu irmão, que ouve e vê coisas que sempre me fazem prestar muita atenção (e que tem um blog muito bacana mas anda com preguiça de postar), que eu roubei estas fotos:

Meninos no lixão em Irecê, Bahia. Foto de Raphael Paiva.
Molecada do lixão, Irecê, Ba. Foto de Raphael Paiva.

Índios da reserva Inhacapetum, em São Miguel das Missões, RS. Foto de Raphael Paiva.
Então? Olhou bem para as fotos das crianças acima? Agora consegue ver e imaginar a árvore de cristais Swaroski?!
Há muito para fazer no mundo, não? Por onde é que a gente começa? Não sei porque, estou começando a achar esta árvore muito feia! E cada vez mais acho linda a vontade de viver que se vê nas carinhas sujas pelo mundo afora. Durma-se com uma consciência destas. Tô chata, né? Tenho certeza que muita gente preferia que eu contasse apenas sobre a maravilha de se morar na Suíça. Sinto muito. Acho que o mundo só vai ser lindo quando pudermos todos (aqui, no Brasil, em África, na Suécia, no Darfur, no Afeganistão, na China, nos Estados Unidos, na França, enfim... ) ter a mesma dignidade de vida.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Caracóis

Pela altura do Natal, os caracóis têm sempre muitos afazeres.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Conte conosco

Este desenho da Carolina é para dizer que nós lhe desejamos um Feliz Natal!
Se lhe serve de consolo, não foi só você que achou difícil ser bonzinho o ano todo... Nós também! A gente tentou, não é? Não desistimos nunca! Continuamos tentando...
Assim, se na noite de natal algum de nós não receber o tão cobiçado presente, não faz mal: continuamos amigos, seguimos de mãos dadas, sempre! Afinal, a melhor recompensa do mundo é ter amigos com os quais se pode contar. 'mbora contá? Nove,...

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Sapateiro

Algumas profissões vão tornando-se obsoletas e hoje é raro encontrar-se um bom sapateiro. Ah! Mas eu conheço um. Dos bons. É... mas ele já não trabalha. Aposentou-se. No entanto, meu tio Antônio forrava sapatos como ninguém! Para que forrar sapatos?! ... usava-se naquela época: nos casamentos ou nos grandes eventos, as mulheres cobriam os sapatos com o mesmo tecido do vestido. Outros tempos... Ficava uma lindeza! Cobertos de renda, tecidos brilhantes, tafetás... Eu jamais vou me esquecer daquele ambiente da sapataria do meu tio. Tanto preguinho, tachinha, pregão... aquelas caixinhas infindáveis com todo tipo de materiais, solas de couro, saltos infinitos... minhas primas sempre sabiam o salto que estava na última moda. Foi nessa época que eu soube que tinha um salto chamado carretel. Não é bonito? E as fôrmas?! Uau... e o cheiro inconfundível de couro, cola... Calma! Eu nunca cheirei cola: meu tio escondia e vigiava tanto aquelas latas, que eu nunca havia entendido bem o motivo. Adorava vê-lo com seu avental todo sarapintado de tintas, graxa, cola... e ele sempre com a fôrma no colo, ajustando, moldando e martelando solas, pregando, colando, cortando... Deve dar um gostinho todo especial saber fazer algo que quase mais ninguém no mundo sabe, não é? Segredos incontáveis...
Aí eu estava vagando por Viana do Castelo quando vi esta portinha aberta:
Ah! Que legal! Um sapateiro como se deve... Não resisti, puxei prosa, pedi para tirar uma foto. Claro. Ele não deve ter entendido nada. Só que eu não podia deixar de aproveitar uma oportunidade tão rara destas.
Então como você acha que eu vou explicar para a Carolina que sapatos não nascem dentro de uma caixinha na loja do shopping?

sábado, 5 de dezembro de 2009

Meu pé de laranja lima

Meu avô tinha um pé de laranja lima que era mais do que uma árvore no quintal: era uma amiga da vida inteira. Sempre que eu lá ia, havia o momento de sentarmos juntos e, no meio daquela prosa boa, sem pressas, que só os mineiros sabem ter, meu avô sacava o velho canivete e descascava uma, duas,... três laranjas lima. Ah! Que perfume! Que sabor raro! Que prazer indescritível. Foi assim durante anos a fio. Considero esta uma das frutas mais exóticas do planeta. Se calhar há por aí alguma terra onde esta espécie brota que nem erva daninha. Mas eu nunca mais encontrei um pé de laranja lima. Para mim, laranja lima sabe àquelas tardes únicas de jogar conversa fora enquanto a ampulheta do tempo se debruçava no parapeito da janela verde com ferrolho. Tenho imensa vontade de provar deste fruto novamente para ver se ele serve para matar as saudades que tenho do avô Plínio.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Esportes de inverno

O chá de sumiço tem nome: tendinite provocada pelo uso em excesso do computador. (Leia-se má postura). Algumas sessões de fisioterapia após... cá estou eu de volta! Só não vou dizer que estou pronta para outra, é claro!

A neve chegou, finalmente. É uma festa ver tanta criança sair feliz da toca. Parecem passarinhos chilreando no jardim... Não tem época mais bonita. Começam os esportes de inverno. Eu até resolvi fazer uma lista dos meus esportes preferidos nesta época do ano. Aí vai:

1. Comer fondue acompanhado de um vinho tinto do Alentejo;

2. Assistir um filme de suspense enroscada numa manta no sofá da sala;

3. Cozinhar pratos inimagináveis cercada de bons amigos cobaias;

4. Bordar enquanto a Helena enxuga as lágrimas na novela das 8;

5. Ler na cama;

6. Inventar o que comprar em lojas meio vazias só para aproveitar o aquecimento;

7. Criar histórias sem pé nem cabeça enquanto vejo a Carochinha tentar dormir/não dormir;

8. Tentar perceber porque raclette faz tanto sucesso na Suíça.

E você? Acrescentaria algum outro esporte radical na lista dos preferidos para este inverno? Aceito sugestões, afinal, não gosto nada de ficar parada e perder a estação. eheheheh