quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Traição

Millôr Fernandes dizia que, de todas as artes, a música é a única que nos ataca pelas costas.
Tem muita sabedoria esta afirmação, afinal, normalmente é preciso que o espectador se volte para o objeto ou para a performance, para que possa fruir a arte. Como num acordo onde um quer se mostrar e outro quer conhecer. Na música, mesmo que você não se proponha a isso, que não esteja com o interesse voltado para a questão, ela pode lhe invadir sem aviso prévio. A música é traiçoeira: ela pode nos pegar numa emboscada quando menos esperamos. Ou você nunca sentiu isso de repente num shopping, num elevador, num sinaleiro, ou mesmo próximo a vizinhos barulhentos e mal educados?
Algumas vezes, pode ser mesmo uma violência. Outras, uma grata surpresa.
E foi assim, completamente desarmada, que tive o prazer de conhecer esta música de Astor Piazzolla na belíssima voz de Chabuca Granda, de quem eu nunca ouvira falar. Alta traição, mas como foi bom! Quer ouvir e verificar se ela também lhe toca?

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Experiência estética

Por vezes, desavisadamente, o prazer estético me inunda,
e eu simplesmente perco a palavra.

sábado, 11 de setembro de 2010

Carro de corrida

Há muito tempo não posto um desenho da Carolina que, entretanto, não parou nunca de desenhar. Neste momento os desenhos formam pilhas de papéis nos lugares mais insuspeitos da casa. Então, vou dar prosseguimento a um dos antigos propósitos deste blog de publicar os que acho mais interessantes, ao mesmo tempo que faço um arquivo para ela rever na posteridade. Na minha opinião, o mais bacana neste desenho é que ela resolveu o problema de representar o público da corrida, com meras bolinhas coloridas. Claro, isso é um clichê nos desenhos animados, gibis, etc. Não é novidade alguma. O que para mim é novidade é o fato dela, ainda aos 5 anos, já ter se apercebido desta possibilidade. Demonstra um acurado olhar analítico e sintético em tão tenra idade. Outra curiosidade é que ela estava mesmo numa corrida em direção aos 6! Fazer seis anos, para quem tem cinco, equivale a chegar aos 18: parece que sua vida vai mudar completamente para melhor e você vai adquirir incríveis superpoderes. Há! Quem viver verá!

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

A lógica imbatível de uma menina de 6 anos.

_ Carolina, hora do banho!
_ Eu não quero tomar banho, mãe! Eu odeio tomar banho!
_ Então vai ficar toda suja, fedida?
_ Eu não vou ficar fedida.
_ Ah, vai. Quem não toma banho fica a cheirar mal.
_ Cheira aqui o meu sovaco?
_ Eu, não! Tá maluca?! Eu não vou colocar meu nariz nesse sovaco fedorento.
_ ... Você até come abóbora!...

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Paisagem proibida para asmáticos

Este ano despeço-me do Verão (que esteve mais para Veranico) com as imagens que mais me marcaram. Instantes tão rápidos, tão mágicos, mas que vão deixar esta paisagem registrada para sempre em minha memória. Sim, o belo ainda é capaz de me fazer pasmar:De passagem por St Moritz, de repente, após uma montanha ou curva da estrada, eis a imagem que se me revela:
Um lago coalhado de parapentes coloridos, que na verdade não eram parapentes... eu nem sabia que esporte era aquele!
Mas sua beleza inquestionável nos fez estacionar o carro e nos deleitar, mesmo que por breves instantes, com aquela vista de tirar o fôlego!
Ah! Era tão bonito que até doía. Foi como receber um soco no estômago, de tal modo nos deixara estupefactos.
E pensar que alguém ainda tinha o privilégio de conviver com esta vista a vida toda...
Visto de cima, podia-se ver a moldura dos Alpes, praticamente sem neve. Algo raro. Neste momento já voltou a nevar lá em cima, e está tudo bem mais branquinho. E dizem que o Verão nem acabou!
Contudo, foi uma estação inesquecível, e eu até aprendi que estes paraglaiders coloridos, com uma prancha de surf acoplada, é um esporte chamado kiteboarding. Não parece sofisticado e maravilhoso?! E ainda aprendi mais: Quando um lugar como St Moritz tem a fama turística que tem, não duvide: não fique questionando se vale a pena ir conhecer. Simplesmente vá. Ninguém adquire uma fama destas a toa. E havia ainda muito mais para apreciar:

St Moritz. Se um dia você for, me chama que eu vou! Ah! E se você for asmático, não se esqueça de levar a bombinha, ou você sentirá muita falta de ar!

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Paixão condenada

Nesta terra estou fadada a me apaixonar pelo que nem nome eu sei. E estar apaixonada por algo que não se sabe como chamar, é muito triste, amigos. Será que alguém me ajuda? Qual é o nome desta flor maravilhosa? Nunca vi uma combinação de lilás e branco tão linda!
Veja: à medida que abre, cada florzinha fica branca.
E em cada arbusto, há inúmeras pencas de flores brancas sobre lilás.
Agora exorcisa minha paixão e me conta o nome desta flor. Please!!!

domingo, 29 de agosto de 2010

Olhando mais de perto

Não vou negar que o motivo que me levou à Engiadina foi poder ver de perto a técnica do esgrafito. Como alguém pode ficar tão encantado assim por algo?!
Resolvi ver ao pormenor, olhar bem de perto, passar a mão... sabe como? E quanto mais próximo eu chegava, mais me apaixonava. A técnica é simples por demais. Aliás, as grandes ideias quase sempre são as mais singelas. Veja estas janelas:De perto, podemos observar como o trabalho é feito:
O baixo relevo é alcançado com o reboco ainda úmido. Cava-se ou raspa-se a camada à volta do desenho e a parte mais alta pode estar já previamente caiada e ainda úmida ou pinta-se com um rolo depois de seco, ou mesmo nas manutenções da pintura.
O efeito é surpreendente! Olhando-se o conjunto de longe, não se tem muita ideia de como os arabescos vão se formando.
Também dá para perceber que há várias maneiras de se conseguir o resultado. Como qualquer técnica duradoura que vai se adaptando e evoluindo ao longo do tempo.

E claro: como em todo métier, há bons e maus profissionais. Basta uma rápida olhada nos detalhes abaixo, para se verificar logo as diferenças:



Então? Que tal os detalhes do esgrafito? Eu, pelo menos, matei a minha curiosidade. E já ando aqui com ideias na cabeça...