quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Chá de sumiço

Ah-há!!! Pensaram que os caracóis hibernavam no Verão?! Estão malucos?!

Nada disso. Apenas a vida estava tão corrida, que deixei-me levar um pouco, aproveitando para apreciar a paisagem. Mas descobri um monte de coisas novas, que passo a contar a vocês.
Hei! Não sei onde fui arranjar essa imagem. Se alguém aí souber, conta logo para eu poder citar a fonte, pedir autorização ou suprimir de uma vez, porque tô com a impressão de estar fazendo uma coisa feia. Mas a imagem é linda, né?

sábado, 18 de junho de 2011

Beijos em tempos de guerra

Você ainda é capaz de se comover com um beijo? Pois eu me comovo. Veja esta foto:
foto: Rich Lam - 2011.
Não é lindo esse momento mágico? Em pleno caos urbano, a polícia reprimindo o confronto entre torcedores, e esses dois escolheram se beijar. Tem uma história bonita, esse beijo. Veja aqui.
É verdade que os tempos são outros, mas para mim a imagem não é menos tocante que o registro clássico de Cartier-Bresson:
foto: Cartier-Bresson - 1969.
Alguém aí gosta de fazer guerra? Eu prefiro o beijo.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Suspense

Há uma emoção que é indescritível para quem nunca teve a oportunidade de fazer cerâmica, pintura em porcelana e afins: O suspense na hora de abrir o forno.
É lógico que quanto maior o domínio da técnica, mais nos aproximamos do resultado previsto. Mas no caso da pintura em porcelana, há sempre uma grande espectativa para ver como o lustre reagiu, como as cores fixaram-se na superfície vidrada, ou se o acréscimo de diferentes detalhes de relevos e efeitos  resultou bem...

Se não, temos que nos armar de paciência e retomar o trabalho novamente, até se obter o que buscamos. Ai, que friozinho na barriga...  Adoro isso!

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Boda

«La Boda del Tío Raphael y Tía Susana»
Em fevereiro, quando o tio Rapha se casou, a Carolina fez um desenho muito interessante para levar de presente aos tios. Nele, ela transpôs para o papel como imaginou que seria a festa: ela de saltos altos e vestido branco de dama de honra, levando as alianças. A noiva com seu véu e o buquê de flores na mão, e o tio Rapha de gravata, altíssimo aos olhos de uma menininha de 6 anos.
Achei o resultado tão bacana que resolvi perpetuá-lo na porcelana, para que a prenda pudesse ser conservada ao longo dos anos e o momento ficasse registrado para a posteridade.
Assim, passei o desenho para a peça, tendo a preocupação de interferir o mínimo possível nos traços da Carolina.
Acrescentei uma "moldura" de arabescos no mesmo azul do desenho e um fundo com lustre também azulado. Antes da queima o lustre parece castanho como podem ver na foto:

Depois da segunda queima, surge sua cor azul definitiva e eu ainda juntei-lhe lustre madrepérola.

 Finalmente pintei os detalhes em ouro no buquê, nas alianças, e no arroz que caía...


Agora comparem com a foto e vejam como a Carolina antecipou bem o clima de arroz de festa:

Casamento de Susana e Raphael - foto: Leonardo Prado

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Paeonia

A Primavera me inspira! Vejam essas Peônias...








Já viram flores assim tão lindas? Têm uma exuberância inquestionável.
Depois de 12 longos anos, até me animei a pegar a aquarela e arriscar umas pinceladas:

Será que consigo voltar à velha forma? Fiquei animada para tentar novas experiências...

domingo, 22 de maio de 2011

Ave de agouro

Há cerca de 1 mês tenho observado quase que diariamente uma galinha estranha ciscando no fundo do meu quintal. Quer dizer, não é bem no "meu quintal": é no espaço que fica nos fundos de casa, o terreno que avisto da janela da cozinha. Hoje acordei encanada. Resolvi ir lá ver de perto a tal galinha pernuda. Munida da minha câmara fotográfica, lá fui eu. Amigos, eu quase morro de susto! Vejam vocês mesmos do que se tratava:
A tal galinha cegonha ciscando...
Isso mesmo! A ave esquisita a me espreitar era uma cegonha!!! Ui!!! 
Repasso mentalmente meus métodos anticoncepcionais e resolvo urgentemente descarregar numa tigela todos os comprimidos ainda em estoque e  fazer urgentemente um bolo simples, tipo pão de ló. Se o bolo crescer e ficar bom, só me resta a resignação: Terei sido mais uma vítima das pílulas de farinha. Acham que eu estou ficando doida?!!! 
Quando eu era criança, ficava berrando para o céu: "Cegonha, joga um nenem pra mim?!!!" Vai que o bicho levou a sério?! Eu, heim?!

domingo, 8 de maio de 2011

A ver navios

A primeira vez que li este poema, andava eu grávida de muitos meses e fiquei pasma ao constatar que alguém, e além de tudo um homem, conseguia traduzir em palavras tão exatamente a sensação que eu sentia ao conduzir meu próprio corpo. Eu era um cargueiro prestes a adernar. Apesar de sempre ter lido muito Drummond, ainda não tinha descoberto este poema. Acho-o de uma sensibilidade extrema. E aproveito o dia das Mães para dar a oportunidade a mais alguma que queira identificar-se com navios prenhes de esperança.
foto do filme "Terra estrangeira" de Walter Salles e Daniela Thomas.
«Sorrimos para as mulheres bojudas que passam como cargueiros adernando,
sorrimos sem interesse, porque a prenhez as circunda.
E levamos balões às crianças que afinal se revelam,
vemo-las criar folhas e temos cuidados especiais com sua segurança,
porque a rua é mortal e a seara não amadureceu.
Assistimos ao crescimento colegial das meninas e como é rude
infundir ritmo ao puro desengonço, forma ao espaço!
Nosso desejo, de ainda não desejar, não se sabe desejo, e espera.
Como o bicho espera outro bicho.
E o furto espera o ladrão.
E a morte espera o morto.
E a mesma espera, sua esperança.»
(...)
("Ciclo", de Carlos Drummond de Andrade - A vida passada a limpo.)