sexta-feira, 5 de março de 2010

A pergunta que não quer calar

Já estão me acusando de ter as mesmas dúvidas desde o período jurássico. Lamento informar que não são as únicas. Há outras bem mais antigas. Sim, nesse sentido, eu sou uma ruminante. Fernando Pessoa dizia: "Sou um guardador de rebanhos/ E o rebanho é os meus pensamentos". O meu caso é diferente. Eu não guardo nada: eu rumino. Não os meus pensamentos, mas as minhas dúvidas. E uma antiga dúvida atroz foi solucionada na semana passada, quando eu li o portal SwissInfo. Veja lá se você sabe o nome disso:
Hummm.... aposto que, como eu, também dizia "aqueles desenhos na parede". Eu já vi esses grafismos em muitos lugares: Portugal, Itália,... e aqui na Suíça aos montes. Mas não fazia ideia de como se chamavam. Parece afresco, porque esse efeito se consegue com uma espécie de relevo no estuque. Se clicar em qualquer destas fotos dá para ver tudo em detalhe.Alguém já descobriu o que é? É o chamado ESGRAFITO. Esta técnica vem da Itália, século XV. Teve origem no afresco árabe. Daí se esparramou um pouco por toda a Europa. Em Évora, Portugal, tem inúmeros, e eram usados na decoração de igrejas, altares e espaços conventuais. Há no Palácio da Inquisição, em frente da Sé, e mesmo em casas comuns. Era uma técnica barata, que aos poucos foi sendo substituída nos espaços eruditos e religiosos pela pintura mural e pela talha dourada. No Alentejo dominam o alto das fachadas, o contorno das janelas, as chaminés... E aqui na Suíça, cansei de ver. Só que eu não sabia o nome. Na matéria do SwissInfo dizem que o ninho do esgrafito suíço é Engadina. Me deu uma vontade doida de conhecer. Essas fotos são de lá, e estavam publicadas no portal.
A definição mais clara que consegui sobre a técnica, diz que é colocada uma camada de estuque, e depois recoberto por outra camada de cor diferente ou contrastante. Daí essa primeira camada é raspada em alguns locais específicos e, à medida que a cor debaixo reaparece, forma ornamentos, grafismos, ou desenhos.
Veja se não é uma ideia simples que dá um efeito lindo:

Então eu me lembro sabe de que? Do tanto de casas caiadas no Brasil, do tanto de moradias só no reboco, tantas lajes e puxadinhos nas favelas... Isso é uma coisa que dá para fazer perfeitamente sem precisar muito lero lero. Basta criatividade (e isso o brasileiro tem de sobra), o reboco de sempre (verdade que muitos não têm nem isso) e pó xadrez ou cal. Já imaginou?

Anota aí o nome da coisa:

ESGRAFITO

E foi assim que eu aprendi mais uma coisa bacana e acabei com mais uma das minhas dúvidas infinitas.

3 comentários:

Kelly disse...

E foi assim que eu aprendi isso com você.
Te devo mais essa...rs
bjs querida!

Hum... eu também rumino... e como...

Mário, o Dimas disse...

É bonito o esgrafito. Para completar o conhecimento nunca demais adquirido, junto o link a recuperação de esgrafitos do , sobre o Castelo de Amieira do Tejo, do tempo de D João IV de Portugal, logo do Séc. XVII.
http://cathedral.lnec.pt/publicacoes2/3.pdf

...E mais este, muito interessante, de um patrício teu de Belo Horizonte:
http://coisasquepodemosfazer.blogspot.com/

Beijos

Rejane Paiva disse...

Bacana o teto daquela igreja, Dimas. Obrigada pelos links. O do meu patrício eu já conhecia. E estou preparando para ensinar a técnica para a Carocha. Acabei de fotografar um esgrafito da Universidade de Zürich. Vou postar para você ver a lindeza! Beijo