Vou cantar com o pessoal do Ensemble Turicum dias 22 e 23 próximos. Sintam-se convidados.
Bordado, arte e memória.
O espetáculo era Passos das Paixões. Não a paixão de Cristo, mas as paixões humanas.
No tapete, não os símbolos da igreja, mas a simbologia dos amores: dois corações, flores, a lua e a estrela...
Ah! Se esta rua fosse minha!... Eu mandava, eu mandava ladrilhar. Mandava nada: mandava era estender um tapete de serragem colorida, que mineiros de fé inabalável vararam dias recolhendo, tingindo, secando, armazenando...
O local escolhido? Igrejinha de Santa Rita, já então transformada em Museu de Arte Sacra de Uberaba.
Afinal, cada um sabe qual é a cruz que carrega, não?
As canções? Todas aquelas em que o amor brotasse por entre as colcheias...
Era um fim de tarde especial. O trabalho conjunto preparava o espírito para o que vinha no espetáculo da noite. Ali fizemos nossa concentração.
Tudo o que queríamos, era que o público percebesse que fizemos todo aquele tapete para recebê-los. Depois de adentrar o recinto, o tapete iria aos poucos sendo desfeito, porque lá dentro seria encenada cada uma das estações do amor. Cada qual com seu sentimento inerente: a surpresa da descoberta, a sensação de estar no céu, a perda, a separação, a saudade...
Às vezes, no meio de 100 vozes, você encontra amigos para a vida inteira. Pode ser que nunca mais dividam o mesmo palco, nunca mais se cruzem pela vida, mas fica aquela certeza de que alguém de quem você sempre gostará, toca seu barco algures. A amizade é assim... gratuita, brota de uma empatia natural, sem precisar muitos porquês. E quando a isso se soma aquela parceria que só pessoas que enfrentam o mesmo desafio e se safam, obtendo grande prazer e sucesso, então... bem... isso é algo que de fato será para sempre. Essa pessoa que carrego no pensamento é a Manuela, que aparece na foto numa de nossas muitas viagens com o Lisboa Cantat. Foi em 2001, em Coimbra e, como podem ver, o alemão já me perseguia há muito. Cantamos Ein deutsches Requiem, de Brahms, com a Orquestra Filarmônica de Timisoara, da Romênia. Sendo assim, Manuela, venha a obra que vier, conte comigo: na hora da fuga, eu fujo contigo!VEROSSÍMIL
Antigamente, em maio, eu virava
anjo.
A mãe me punha o vestido,
as asas,
me
encalcava a coroa na cabeça e
encomendava:
"Canta alto, espevita as palavras
bem."
Eu levantava vôo
rua acima.
