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sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Bodas de... sal?

Faz hoje 49 anos que meu pai "tá pegando" a minha mãe. Calma, não é só um modo grosseiro de falar: é que estou tentando usar uma linguagem mais próxima para que a nova geração de netos possa entender bem o que é isso. Hoje em dia, em que é tão difícil encontrar uma relação que dure além da primeira "pegada"... em que tudo passa na velocidade meteórica com que deixamos de ser "B.V."... Imaginem se minha mãe fosse apenas uma "perigueti", que escolhesse meu pai só para ser seu "ficante"... eu, provavelmente não tava aqui para contar essa história. Porque encontrar um companheiro para partilhar 49 anos e 6 filhos, quando o máximo que se viveu sozinho consigo mesmo foram uns parcos 20 aninhos!... Quer dizer que nesse momento, até a memória de como é ser solteiro já esmaeceu. Será que eles ainda se lembram? Será que têm saudade?

Quando isso tudo começou, eles eram assim:
O quê? Um beijo como o da primeira foto naqueles tempos?!!!! Nem pensar!!! Mesmo depois de casada, uma mulher podia ficar falada! E tenham certeza: isso era do pior que havia. O fundo do poço! O caminho sem volta!

Pois é... mas na semana passada eles se beijaram apaixonadamente. Na boca! A Carolina viu. É... "A fila anda!" Quer dizer, a fila ainda não andou, eles é que têm se renovado. Sempre. Havia uma centena de pessoas por testemunhas, aplaudindo algo tão raro nos tempos atuais. Um amor que duuuura...

Não me esqueço do meu avô Plínio, sempre com seus ditados tão sábios, dizendo: "para se conhecer bem uma pessoa, primeiro vocês têm que comer pelo menos um quilo de sal juntos".

Lembro-me exatamente do dia em que, morando em Sintra-Portugal, com quase um ano de casada, notei que precisava comprar mais sal. Imediatamente dei-me conta de que eu nunca mais comprara sal desde que me mudara para lá. Fora uma única vez. Demorou quase um ano cozinhando diariamente para acabar com aquele primeiro quilo de sal. Pensei: meu tava doido! É preciso muito mais que um quilo de sal!!! Lembro-me exatamente da sensação de entender finalmente, depois de muitos anos ouvindo a mesma frase repetida, o que meu avô queria dizer. Um quilo de sal duuuuura!...

Fazendo rapidamente as contas, ignorando os anos de namoro e noivado, chego à conclusão que meus pais já comeram juntos uns 50 quilos de sal!!!! Será que já se conhecem o bastante?!
Tanta coisa que dava para pensar... Mas para já, eu apenas quero lhes desejar tempo e disposição suficientes para comer mais esse bocadinho de sal juntos:



Cuidado com a pressão, moçada!!!!
Ok, não tão moços assim...

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Cosme e Damião e o drama do Diabo

Em nossa família sempre tivemos um simpático parzinho de vasos. Eles atendiam pelo nome de Cosme e Damião Rodrigo e Raphael. Onde um ia, lá estava o outro. Sempre. Pra cima e pra baixo, o dia inteiro!
Quem os via assim juntinhos, nem dava pelas diferenças entre eles, que não eram poucas. Mas a verdade, é que quando nasceu, Raphael era um fofucho que vivia dando risada. Continua assim até hoje!
Já o negócio do Rodrigo era chateá-lo cantando o "Paiaiô" (Não me perguntem que canção ridícula é essa! Eu me recuso a reproduzir essa ladainha!). O tempo foi passando, e o Damião Raphael começou a se tornar um idealista... Acho que se sentia assim uma espécie de super herói. Qualquer lençol velho virava a capa do Super homem, qualquer capucho esfarrapado servia de máscara... Sua imaginação não tinha limites: Acreditava nas bruxas, na Cuca, no homem do saco, no Saci Pererê, no Capitão Sabino, no plano cruzado, no pirata da perna de pau... Até no Lula ele acreditou!!!! E claro, a função do Cosme Rodrigo era trazê-lo de volta à realidade. Tentar, pelo menos.
E todos pensavam: uma amizade fraterna assim, nem mesmo uma proposta irrecusável da Dilma pode separar! É... mas seria exatamente uma mulher a autora desta proeza: sim. Ela. A única! A inigualável Susana:E todos os dias quando a Susana acorda, assim que seus delicados pezinhos tocam o chão, o Diabo resmunga lá das profundezas: «Oh, droga! Ela acordou!!!»

hahahahahahaha! Ficaram com dó?!!! Pois é: ELES VÃO SE CASAR!!!!


E assim termina a história da dupla dinâmica Cosme e Damião Rodrigo e Raphael - dois irmãos unidos como os dedos de uma mão ou vocês acham que o Rodrigo será homem de ir visitá-los, se nem o Diabo a aguenta?!!!, que um dia uma mulher separou.


E para terminar tudo em bem, resolvi compartilhar aqui a genialidade inventiva, a imaginação fértil do Raphael quando tinha apenas uns 10 anos de idade e a professora lhe pediu a indefectível redação sobre as férias, ou se quisesse, um outro tema qualquer que escolhesse. Então o eterno menino que adorava singrar as nuvens, escreveu uma "composição" com as duas postagens que se seguem. Eu, obviamente, como irmã zelosa da memória da família e do futuro promissor daquela criança, já pensando nos vinténs que isso poderia me render, guardei estes manuscritos por anos para um dia ter o prazer de chantageá-lo publicá-los. Finalmente é chegado o momento. Agora quero a opinião de vocês.



Já agora, como não tem mesmo volta,


PARABÉNS AOS NOIVOS! E UMA LONGA VIDA FELIZ PELA FRENTE!

domingo, 18 de julho de 2010

Caiu no mundo

Ela, afinal, foi-se embora deixando para trás o seu lindo véu. Sim, estou falando dela, de quem eu prometi contar as maldades... Não se lembram?! ELA!... a Casca... deixou cá o véu... Sim! Casca véu! Ops! Isso!!! A Cascavel!!! Surucucu sanguinolenta! Jararaca traiçoeira! Caninãna maléfica! Às vezes fica um chocalho, outras vezes um rastro serpenteante, sometimes uns ovos, outras vezes é só mesmo a casca. No dia seguinte, ao arrumar o quarto, foi com esta imagem que eu me deparei:

Tsé, tsé, tsé, tsé... Se alguém de vocês encontrar alguma destas pistas por aí, eu imploro: Não tente se defender sozinho. Não enfrente a fera. Cuidado. Muito cuidado!!! Ligue imediatamente para o Instituto Butantã e aguarde pelo socorro. A família não se responsabiliza pelos danos causados. Uh-huuuuu!... Minha mãe tá solta!!! Há há há há há há há hááááaaaa...

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Visita

Há muita gente me cobrando que o blog tá devagar, quase parando...
É. Mas você já recebeu visita da sua mãe em casa? Sabe como é? Não?!!!
Então depois que ela for embora eu conto, tá? Ou numa hora que ela não estiver vendo, venho correndo aqui postar...
Falar pelas costas ventila a alma. hahahhahahhaah (barulho do chocalho de cobra)

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Contos de fadas

Era uma vez uma senhora muito feia simpática...A cada manhã, a bruxa má ela abria sua janela para maldizer bendizer a vida.
E a seguir, fazia a pergunta do costume:
_ Espelho, espelho meu... existe alguém mais bela do que eu?
Claro... vocês já estão carecas de conhecer essa história... vamos então ao resumo da ópera:
Foi assim que a bruxa má vovó largou sua vassoura e foi falar com a Branca de Neve. Estava um lindo dia, e os anões nem tinham ido trabalhar.
A surucucu sanguinolenta avózinha propôs fazerem um baile, onde seu feitiço a felicidade reinaria, e Branca de Neve dormiria viveria eternamente. Mas desde que o mundo é mundo e os contos de fadas são contos de fadas, o feitiço sempre sai pela culatra. Ou seria o tiro que pega sempre no feiticeiro? Sei lá... sempre baralho um pouco essa parte...
O que importa é que deu tudo errado, e quem acabou dormindo foi o príncipe encantado!

A perversa caninãna boa velhinha ainda tentou dar um passe de descarrego abençoar a linda menina com palavras que ela aprendera no livro de São Cipriano intuitivamente:
_ Sai desse corpo, que ele não lhe pertence!

Mas é óbvio que quem nunca estudou magia como se deve, só fez um workshop de 40 horas com a Madame Mim, nunca chegará a feiticeira!
E foi assim que a Branca de Neve viveu feliz para sempre com os 7 anões, e a avó da Carolina ficou ainda mais feia e boba alegre e gentil.
Vitória, vitória, e acabou-se a história!

terça-feira, 2 de março de 2010

Cabelo tipo Bom Bril

Todo mundo sabe que Bom Bril tem mil e uma utilidades. Isso não é novidade alguma.
Ainda bem que a milésima primeira utilidade caiu em desuso! Você já pensou nisso?
Estas duas marocas são do tempo em que os cabelos eram "recheados" com Bom Bril, para dar mais volume. Hoje botam a maior banca, mas já usaram esse velho truque. Acredita?
Acho que acabo de ser expulsa da família...

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Carta de amor, vírgula!

Naquela época eu devia ter a idade que minha filha tem hoje... lembro-me que a escrita para mim era um mistério que eu andava louca por desvendar. Foi por isso que achei que aquele conselho, vindo de uma tia que eu achava tão bacana, e que parecia mesmo saber das coisas, era um conselho para ser guardado pela vida inteira.
Afastando um pouco o pó da memória, vem-me a imagem clara da tia Maria Helena com uma carta na mão, retirando um papel todo escrito - frente e verso, de dentro de um envelope. Ela ainda era solteiríssima e namoradeira o bastante para escrever cartas de amor aos seus muitos namorados. Aquelas palavras todas desfilavam diante da minha imaginação e eu pensava entrementes: um dia ainda hei de escrever cartas de amor! Muitas. Cheias de vírgulas.
Acompanhava a sua maneira cuidadosa de colar o selo no envelope ainda aberto, quando a tia me deu o papel escrito e disse:
_ Toma, Rejane. Distribui aí algumas vírgulas.
_ ... eu ainda não sei escrever, tia Mareléna.
_ Não precisa... põe aí em qualquer lugar.
_ Pra que?
_ Pros moços ficarem pensando que a gente é inteligente! Depois que a gente escreve tudo o que quer, a gente deve sempre distribuir umas vírgulas na carta, que é para eles verem que a gente sabe escrever bem. A pessoa que sabe escrever bem usa muitas vírgulas nas cartas.
_ Ah. Tá bom...
E assim o fiz, pondo uns daqueles risquinhos que ela me ensinara e pensando como é que alguém poderia dar atenção a uns negocinhos tão insignificantes, daquele tamaninho... Achei aquela revelação tão importante que me concentrei no fato de que nunca deveria esquecê-la dali por diante.
Agora, avaliando melhor, verifico que o truque não deve ter surtido muito efeito. Afinal, a tia não se casou com aquele namorado. Na foto abaixo, ela aparece mais tarde, no dia de seu casamento com o único ser capaz de entender as suas regras de pontuação. Pela minha cara, no canto direito da foto, vocês podem imaginar a desconfiança com que eu assistia àquilo tudo:
No entanto, volta e meia, todo 1º de Janeiro, o antigo conselho me volta à lembrança, porque é o dia do aniversário da tia Maria Helena.
E se eu pudesse hoje fazer alguma recomendação importante a algum sobrinho meu, eu certamente diria:
NUNCA CONFIE, NUM,, ANIMAL QUE SANGRA, POR, QUATRO DIAS INTEIROS,, SEGUIDOS, E NÃO, MORRE! eh eh eh eh
Valeu pelos conselhos, tia Mareléna! Feliz Aniversário!

sábado, 5 de dezembro de 2009

Meu pé de laranja lima

Meu avô tinha um pé de laranja lima que era mais do que uma árvore no quintal: era uma amiga da vida inteira. Sempre que eu lá ia, havia o momento de sentarmos juntos e, no meio daquela prosa boa, sem pressas, que só os mineiros sabem ter, meu avô sacava o velho canivete e descascava uma, duas,... três laranjas lima. Ah! Que perfume! Que sabor raro! Que prazer indescritível. Foi assim durante anos a fio. Considero esta uma das frutas mais exóticas do planeta. Se calhar há por aí alguma terra onde esta espécie brota que nem erva daninha. Mas eu nunca mais encontrei um pé de laranja lima. Para mim, laranja lima sabe àquelas tardes únicas de jogar conversa fora enquanto a ampulheta do tempo se debruçava no parapeito da janela verde com ferrolho. Tenho imensa vontade de provar deste fruto novamente para ver se ele serve para matar as saudades que tenho do avô Plínio.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Duas dálias

Minha avó Engrácia adorava dálias. Amava estas flores de cores esfuziantes e exageradas. Era a cara dela. Então acho esta foto muito curiosa, porque nela, apesar de estar meu pai e minha mãe, eu vejo também a minha avó, que já nos deixou há muitos anos. Esquisito, né? Parece que a gente se perpetua através do nosso gosto.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Risada solta

Tô com uma saudade de dar risadas com a minha mãe! Não é preciso ninguém contar piada:
Ela ri assim sem motivo nenhum aparente. Você acredita?!

domingo, 6 de setembro de 2009

Atendendo a pedidos

A família Tralalá adorava passear na Estação Mogiana. Esse era um programão! A época da Maria Fumaça mal acabara... Veja a pose do pequenino. Quem ele pensava que era?!

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Pensamento do dia:

Relógio que atrasa não adianta.
(Uma das muitas reflexões da Tia Ziza)

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

A união faz a força

Pôxa... lembram-se de como foi o dia fatídico? O dia da zebra?
E não é que o maridão arranjou tudo?! Ah... nada como ter um companheiro nestas horas... o amor é lindo!
O computador ficou supimpa, a mesa de passar está como nova, e ele ainda disse que fazia uma massagem na mão dodói. (suspiro) Só faltou falar que passava a roupa, ressuscitava a aranha e a levava para o jardim... Sim, porque no fundo, no fundo, eu fiquei pensando se aquela aranha não podia ter cruzado meu caminho num dia normal. Fiquei com remorsos. Nossa! Parecia um dia de fúria!
Por isso ele é meu par perfeito. Divide todos os momentos difíceis e está sempre pronto para os momentos divertidos.

O filósofo da família

Algumas pessoas são incontornáveis em nossa vida. Tia Ziza é uma delas. Sabe aqueles momentos em que ninguém sabe mais o que dizer? Pronto: Tia Ziza tem a palavra certa, o conforto, a sabedoria, o pensamento exato para expressar tudo o que sentimos. É uma verdadeira filósofa formada pelas intempéries de sua longa existência. Afinal, quem mais poderia dizer coisas como "Para morrer, basta estar vivo." Ou ainda "Está morrendo gente que nunca morreu antes". Eu sempre ficava envolta em sua última frase, com o pensamento perdido. Apesar de inicialmente parecer uma constatação básica, com o tempo fui me apercebendo da profundidade de seu pensamento. Levo as vezes dias, meses, matutando no sentido abissal de suas palavras. Fico abismada com sua capacidade. Prometo que vou lhes proporcionar a oportunidade de conhecer mais de perto essa grande pensadora contemporânea. Hei de trazer outras pérolas que só Tia Ziza é capaz de dizer. Afinal, todos nós temos o direito de ter um filósofo na família. Se você, no entanto, estiver muito angustiado, não se acanhe: ligue para ela agora. Ela saberá lhe dar uma palavra amiga.