Mostrando postagens com marcador música. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador música. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Bossa não tão nova

Hoje deparei-me com uma curiosidade: Nara Leão cantando Night and Day, de Cole Porter. Mas é uma versão em português, feita por Nelson Motta. Quer ouvir?


sexta-feira, 11 de março de 2011

El Regreso del Hijo Prodigo

Vou cantar com o pessoal do Ensemble Turicum dias 22 e 23 próximos. Sintam-se convidados.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Traição

Millôr Fernandes dizia que, de todas as artes, a música é a única que nos ataca pelas costas.
Tem muita sabedoria esta afirmação, afinal, normalmente é preciso que o espectador se volte para o objeto ou para a performance, para que possa fruir a arte. Como num acordo onde um quer se mostrar e outro quer conhecer. Na música, mesmo que você não se proponha a isso, que não esteja com o interesse voltado para a questão, ela pode lhe invadir sem aviso prévio. A música é traiçoeira: ela pode nos pegar numa emboscada quando menos esperamos. Ou você nunca sentiu isso de repente num shopping, num elevador, num sinaleiro, ou mesmo próximo a vizinhos barulhentos e mal educados?
Algumas vezes, pode ser mesmo uma violência. Outras, uma grata surpresa.
E foi assim, completamente desarmada, que tive o prazer de conhecer esta música de Astor Piazzolla na belíssima voz de Chabuca Granda, de quem eu nunca ouvira falar. Alta traição, mas como foi bom! Quer ouvir e verificar se ela também lhe toca?

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Dizem as más línguas que ele até trabalha!

Agora, se você for à Lapa, não vai mais perder a viagem: há de encontrar algum malandro, com certeza. Não onde você espera, nem mesmo como você imagina. Mas esta pedra o Chico já havia cantado há muitos anos atrás:

Eu fui fazer um samba em homenagem
à nata da malandragem
que conheço de outros carnavais.
Eu fui à Lapa e perdi a viagem,
que aquela tal malandragem, não existe mais.

Agora já não é normal
o que dá de malandro regular, profissional,
malandro com aparato de malandro oficial,
malandro candidato a malandro federal,
malandro com retrato na coluna social,
malandro com contrato, com gravata e capital,
que nunca se dá mal.

Mas o malandro pra valer, não espalha,
aposentou a navalha,
tem mulher e filho, e tralha, e tal...
Dizem as más línguas que ele até trabalha,
mora lá longe e chacoalha num trem da Central.

(Homenagem ao malandro - Chico Buarque- 1978)

Fui buscar essa música porque uma notícia hoje na Folha de São Paulo me fez pensar sobre essa homenagem que os garis do Rio de Janeiro estão prestando aos eternos habitués da Lapa. Veja:
Não ficou um charme o detalhe do chapéu Panamá integrando o uniforme? Só que há uma contradição total nisso: malandro trabalhando, meu nego?!!! Uniforme de trabalhador fazendo homenagem a malandro?!!! Nossa! Que nó!
Mas a verdade é que o Brasil é sincrético até nisso. Acendemos uma vela para Deus e, na dúvida, outra para o Diabo. É mais garantido. E somos sincréticos também ao sermos muitos: Num mesmo gari, que se esfalfa no trabalho diário de limpar as ruas para garantir o pão no final do mês, há também espaço para o malandro que, despido o uniforme, cai no samba e vira noites pelos bares, rodas de samba e mesas de jogo de cartas marcadas. O brasileiro dá duro. Vende o almoço para comprar o jantar. Há muita luta, mas também há muita esperteza malandra. Não fosse assim, como sobreviver ao caos diário da existência? É... nós somos um poço de contradições.
Veja esse outro vídeo do gari Sorriso no Carnaval:
Não é a nossa cara?!!!
E você? O que achou disso tudo?

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Semana Santa em Minas

Acho que o feriado que eu mais gosto é o da Semana Santa. Isso está no DNA do mineiro. Certa feita, conversando com um amigo português, eu contei-lhe que era mineira e ele rindo-se disse que adorava nos imaginar com aqueles chapeuzinhos.
_ Quais chapéus?
_ Aqueles, dos mineiros.
_ ?! (Vocês entenderam alguma coisa?! Nem eu.) Qual é o chapéu dos mineiros?
_ Aquele, das luzinhas.
_ ??!!!!!! Que luzinhas?!!!
_ Aquele tipo de capacete que as pessoas que trabalham nas minas usam com uma luz para iluminar o caminho!
_ Ahnnnn!
Pois é. Aquele português não entendia nada de mineiros mesmo. Ou se um dia entendeu, foi lá pelo século XVIII, quando andaram a trazer o ouro e os diamantes das Minas Gerais (e não só) para Portugal. Mas ao que me consta, naquela época eles nem usavam os capacetes com luzinhas... Enfim, de onde ele tirou essa ideia?!
Assim, para que ninguém incorra neste tipo de erros, vou lhes contar agora uma das autênticas características dos mineiros: é um povo com uma religiosidade inerente, tão difusa no seu cotidiano, que nem nos damos conta. Isso independe de uma religião institucionalizada ou mesmo de uma entidade qualquer. Mesmo alguém que se considera totalmente descrente pode jurar ser ateu, graças a Deus!
Mineiro gosta de procissão, de por as colchas na janela, de enfeitar as ruas com infinitos tapetes de serragem colorida, acender vela, manter sempre um vasinho de flores para a santa no oratório... Claro, para se garantir, também frequenta um terreiro, lê toda a literatura espírita, joga flores nas cachoeiras para Iemanjá no Ano Novo... Não importa. O importante é ter fé. O mineiro é um ser humano de fé.
Então, esteja eu onde estiver, quando chega a época da Semana Santa, Minas me chama. Fico lembrando-me que está na altura de preparar o tapete, que devem estar cantando essa ou aquela outra obra na igreja tal, que costelinha com carolo de milho e ora pro nobis é uma delícia!!!... Ai, saudades da culinária mineira! Claro, isso é só na Páscoa!!! Antes, há que jejuar. Sábado da aleluia é dia de assombração. Malhação do Judas... Sexta-feira tudo é pecado! A procissão do enterro... Mas lembrei do prato típico, porque só mesmo Minas para ter uma erva para se colocar na comida com o nome de ora pro nobis. Você já provou?! É por isso que, quando um prato é muito bom, o mineiro diz que é de comer rezando. Rezando para livrar um pouco o pecado da gula... sei lá... Há quem diga que gastronomia é comer olhando para o céu. Eu prefiro comer rezando para aliviar a culpa.
Essas fotos, que não são lá grande coisa, são da confecção do tapete para a procissão do Domingo de Páscoa em Ouro Preto. Feitas na madrugada de Sábado para Domingo. Quando a procissão passa, pisando o tapete, vai desfazendo todo o trabalho da noite. Mas antes disso, ninguém pode pisar. Assim, parte dos moradores está ocupada em fazer o tapete, outra parte se encarrega de vigiá-lo para que nada ou ninguém possa desfazê-lo antes da hora.
Para aguentar o frio da madrugada, nada como um bom garrafão de vinho e muita música. Canta-se a noite toda. O que cantam? Serestas. Coisas como "Elvira escuta", "Lua branca", "Rosa", e tudo o mais que alguém se lembrar, afinal é música para durar a noite toda... Começa com 2 ou 3 músicos e, à medida que tocam margeando o tapete, outros músicos profissionais e amadores vão se juntando.... quando o dia está a amanhecer, quase toda a cidade já engrossa o cordão improvisado de cantores e músicos.
É por isso que eu adoro essa época. Semana Santa em Minas é de lavar a alma! Todos os mineiros o sabem. E NORMALMENTE não dizem a ninguém. Assim, ficam me devendo essa, ok?

terça-feira, 2 de março de 2010

Escrita musical

Tenho trabalhado muito nos últimos dias. Pouco sobra tempo para as postagens. Entre as edições de música, cuidados com a filha, casa, lavar, passar, cozinhar... estudar. (Que grande evolução tivemos nós, as mulheres! Mas isso é outra conversa.) Contudo, há uma coisa bem legal nisso tudo: a Carolina é uma companheira para toda hora. Vendo-me tão atribulada com tanto trabalho musical no computador, ela sentou-se numa mesa próxima e ficou lá rabiscando umas coisinhas... eu, concentrada, apertada com prazos de entrega, nem me dei conta do que ela fazia exatamente. Só sentia-me aliviada com o sossego momentâneo que ela me dava enquanto se entretinha com os rabiscos. De repente, ela me entrega a folha de papel e diz:
_ Pronto, mãe. Agora eu já te ajudei um bocadinho e podes descansar!
Não é que ela é boa nisso?! Note-se que ela, aos 5 anos, ainda não é alfabetizada. Só imita os desenhos das letras e coisas que vê, feito uma papagaia de lápis na mão. Mas percebeu logo que estava misturando duas escritas diferentes e cancelou com um xis as letras do alfabeto que tinha colocado umas bolinhas na ponta como se fossem música. Deixou só as "notas musicais". Como foi que ela chegou a essa conclusão sozinha?! Mistééério...

sábado, 16 de janeiro de 2010

Função do artista

Vamos fazer uma brincadeira?!
Ouça este videoclip e tente encontrar as seguintes frases:
Quando você for convidado(...)
Pra ver do alto a fila de soldados pretos,
e são quase todos pretos
Dando porrada na nuca de malandros
pretos e ladrões mulatos
E outros quase brancos tratados como pretos
Só pra mostrar aos outros quase pretos
(E são quase todos pretos)
E aos quase brancos, pobres como pretos
Como é que pretos, pobres e mulatos
E quase brancos quase pretos de tão
pobres são tratados
E não importa se os olhos do mundo inteiro
Possam estar por um momento
voltados para o largo
Onde os escravos eram castigados(...)
Não importa nada: (...)
Ninguém é cidadão.
(...) A grandeza épica de um povo em formação
nos atrai, nos deslumbra e estimula.
E na TV se você vir um deputado em pânico mal dissimulado (...)
Se o venerável cardeal disser que vê tanto
espírito no feto e nenhum no marginal (...)
Pobres são como podres (...)
E todos sabem como se tratam os pretos (...)
(...) E quando você for
(...) apresentar sua participação inteligente (...)
Pense no Haiti, reze pelo Haiti:
O Haiti é aqui.
O Haiti não é aqui.
(Caetano Veloso e Gilberto Gil- 1993)
Encontrou?!!
Então agora, se calhar, consegue perceber qual é uma das muitas funções de um artista: ser porta voz de sua época, estar "antenado" com as questões de seu povo, antecipar, falar, propor, ver, rever, instigar, levar à reflexão...
Não, eu não vou aqui fazer nenhuma defesa de Caetano Veloso e Gilberto Gil. Eles já valem por si. Vou só me juntar à reflexão e ao coro, enquanto tento descobrir uma maneira inteligente de contribuir para a solução do problema :
Pense no Haiti, reze pelo Haiti:
O Haiti é aqui.
O Haiti não é aqui.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Lançamento

Alô, pessoas! Hoje eu tão feliz, mas tão feliz, mas tão feliz!!!... Precisava contar para vocês: é que F I N A L M E N T E saiu a Enciclopédia da Música em Portugal no século XX. E essa alegria toda deve-se ao fato de eu ser autora de duas das entradas - uma sobre o Carnaval e outra sobre o Entrudo. O que são 2 entradas no meio de um total de 1200 entradas distribuídas em 4 volumes? Nada. Mas não é bacana? Gosto de pensar que também é um pouco minha. O lançamento será só no próximo dia 21. E eu adoraria estar lá. Será que vai dar? De qualquer forma, fica o gostinho de rever mais um dos muitos rastros que deixei por aí.

domingo, 20 de dezembro de 2009

Leão Léo

Eu dava aulas de canto para uma garotinha maravilhosa chamada Ylana. Tinha 7 anos naquela época. Deixei-a sugerir o tipo de repertório que gostaria de cantar, para fisgá-la desde o primeiro instante. Ela disse que, "apesar de cantar muita bossa nova por influências de papai" (adorei!), preferia Caetano Veloso. Perguntou se podia cantar "O Leãozinho", ao que eu anuí prontamente.
Sabem qual é essa música, não?
Gosto muito de te ver, leãozinho
Caminhando sob o sol
Gosto muito de você, leãozinho
Para desentristecer, leãozinho
O meu coração tão só
Basta eu encontrar você no caminho.
Um filhote de leão raio da manhã
Arrastando o meu olhar como um imã
O meu coração é o sol, pai de toda cor
Quando ele lhe doura a pele ao léu.
Gosto de ficar ao sol, leãozinho
De te ver entrar no mar
Tua pele, tua luz, tua juba
Gosto de ficar ao sol, leãozinho
De molhar minha juba
De estar perto de você e entrar no mar.
Algumas aulas depois, logo depois do aquecimento, eu lhe perguntei por qual música queria começar. E ela disse-me:
_ A música do Léo.
Eu, maluca, corri mentalmente todo o repertório para ver se estávamos a cantar qualquer coisa do Léo Jayme, ou outro assim... Será que estava tão confusa a esse ponto?! Não... não tinha nenhum Léo no repertório... Então lhe perguntei:
_ Que Léo, Ylana?
_ Ora... o leãozinho.
_ ... você arranjou um apelido para o leãozinho, foi?
_ Não, oras. É o nome dele (com toda a segurança do mundo). Ele se chama Léo.
_ Como foi que você descobriu isso?!
_ Está na música!
_ Onde (revirando toda a letra para encontrar a pista)?
E ela então cantou a plenos pulmões:
«(...) Quando ele lhe doura o pé, Leão Léo».

sábado, 24 de outubro de 2009

Parlez-moi d'amour

Sábado nublado, uma fina chuvinha renitente... Só me ocorre ouvir Juliette Greco cantando "Parlez-moi d'amour". Já ouviu? Acho uma voz magnífica! Se quiser, pode ouvir aqui. Depois diga o que achou.
Fico ouvindo essa música e pensando que tudo o que eu precisava agora era de uns 5 dias de feriado nacional pela frente.

Tenho tanta roupa para passar...
Ok! Acho melhor tirar o popozão da cadeira e tratar de trabalhar, porque dona de casa não tem folga e muito menos hoje é feriado! Que canseira!

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Vai, vai chegar sua vez

Ontem, Carolina e eu estivemos a dar risadas e a cantar, não necessariamente nesta ordem.
Ela adora o filme "A Noiva Cadáver", do Tim Burton. Por isso, sabe as músicas todas de cor. É uma espécie de musical.Não sei se isso é cômico para todo mundo, mas eu acho engraçadíssimo ela cantando essas palavras, porque a letra é muito original e fica parecendo meio desadequado à idade dela. No entanto, quem conhece o filme sabe que é uma forma das crianças irem entrando em contato com a ideia da morte de um maneira lúdica (isso existe?!). Outro dia ela me disse que quem morre vai 'lá para baixo', fazendo uma expressão muito grave. Eu pensei que o 'lá para baixo' era o Inferno e perguntei-lhe onde era o 'lá para baixo'.
_ Ora, é lá debaixo da terra, onde as pessoas ficam depois que morrem e vão dançar com os esqueletos.
(pensou um bocado...)
_ Ó, mãe, e aquela outra coisa branca azulada que sai da pessoa quando ela morre? Vai para onde?
_ Vai para o Céu, filha, porque só o corpo é que morre. O espírito, a alma, que é aquela coisa branca azulada, que é o nosso pensamento, o nosso sentimento, isso não morre nunca!
_ Ah... Então vamos cantar! "Vai, vai chegar sua vez/ A morte, o dia, não importa o freguês..."
Para ouvir a Carolina cantando o tema de "A Noiva Cadáver", clique aqui.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Moda e Modinha

Preparei esse post pensando na Claudinha, do blog Modas e Músicas. Dentro daquela ideia de utilização das caixas de vinho do Porto, eu havia fabricado essa "vitrine":
Andava eu metida com transcrições de algumas modinhas de compositores que viveram no Porto na virada do século XVIII para o XIX. Mas a modinha do Tom Jobim não me saía da cabeça .
Não me pergunte o que é que isso tudo tem a ver. Sei lá...
O fato é que da moda de viola para a moda de vestir foi só um pulo (na minha cabeça desvairada). Claro, mas era uma moda com ar mais retrô: Luvas, chapéu, pérolas...
Virou um outro objeto na minha parede. Fita métrica, espelho e a indicação "saldos". No fundo, o molde do vestido que eu confeccionei para o manequim (não se vê muito bem na foto). Retroses, botões, e a letra da modinha do Tom e Vinícius...
Daí, quando encontrei o blog da Claudinha, fiquei pasma: não sou a única a associar a modinha com a moda. Tanto doido solto por aí... hehehehehe