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domingo, 29 de agosto de 2010

Olhando mais de perto

Não vou negar que o motivo que me levou à Engiadina foi poder ver de perto a técnica do esgrafito. Como alguém pode ficar tão encantado assim por algo?!
Resolvi ver ao pormenor, olhar bem de perto, passar a mão... sabe como? E quanto mais próximo eu chegava, mais me apaixonava. A técnica é simples por demais. Aliás, as grandes ideias quase sempre são as mais singelas. Veja estas janelas:De perto, podemos observar como o trabalho é feito:
O baixo relevo é alcançado com o reboco ainda úmido. Cava-se ou raspa-se a camada à volta do desenho e a parte mais alta pode estar já previamente caiada e ainda úmida ou pinta-se com um rolo depois de seco, ou mesmo nas manutenções da pintura.
O efeito é surpreendente! Olhando-se o conjunto de longe, não se tem muita ideia de como os arabescos vão se formando.
Também dá para perceber que há várias maneiras de se conseguir o resultado. Como qualquer técnica duradoura que vai se adaptando e evoluindo ao longo do tempo.

E claro: como em todo métier, há bons e maus profissionais. Basta uma rápida olhada nos detalhes abaixo, para se verificar logo as diferenças:



Então? Que tal os detalhes do esgrafito? Eu, pelo menos, matei a minha curiosidade. E já ando aqui com ideias na cabeça...

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Um dedal de prosa

Maria Adelaide, professora de bordado na Associação dos Artesãos da Região de Lisboa, foi quem me introduziu na arte de usar um dedal. Parece bobagem, não é? Mas veja se uma coisa destas tem ou não sua ciência : Eu já dava minhas alfinetadas e agulhadas com o muito que aprendera com minha mãe. Contudo, eu nunca havia usado um dedal. Não me sentia bem, sei lá... Sentia-me amarrada, perdia a sensibilidade e outras muitas desculpas que arranjava para nunca ter tido jeito com a coisa. Nem via assim tanta utilidade nesse minúsculo acessório. Achava que não me fazia falta. Enfim...

Fui tentando com jeitinho e não foram poucas as vezes que o danado me caíra da mão. Aí ela percebeu logo o problema: eu não puxava a agulha para mim, e sim, empurrava-a. A posição estava completamente errada. Ensinou-me que devíamos trazer sempre a ponta da agulha em direção ao nosso corpo e não empurrá-la em sentido oposto.



Assim, o topo do dedal deveria ser usado, e não as laterais, como eu estava fazendo. Disse-me que eu costurava como um alfaiate. Fiquei a pensar naquilo... Devia encarar como uma ofensa ou um elogio?

Bem... eu nunca soubera disso: os homens costuram de um jeito, as mulheres de outro. Ela então me explicou que por isso o dedal dos alfaiates era aberto no fundo. Eles não usavam o topo do bichinho, ao contrário das mulheres. Claro... eu já vira muitos dedais abertos pela vida afora, mas pensava que era só uma questão de escolha, ou simpatia. Que nada!

Você já tinha reparado nisso?!

Veja bem como é o dedal dos alfaiates:


E desses outros tipos aqui, que são abertos num dos lados? Já entendeu para que servem?

Isso mesmo! Servem para quem quer manter as unhas compridas! A costureira pode utilizar a polpa do dedo protegida, e manter suas lindas unhas! ehhehehehe

Quanta novidade num mundinho que me parecia tão pequeno e já predefinido!

E foi tentando encontrar mais dados sobre o assunto que descobri o quão pouco há disponível sobre isso. Há uma maneira tradicional de se iniciar no ofício de alfaiate: geralmente, prende-se o dedo médio à mão, para condicionar a empunhar corretamente a agulha e o dedal.

No site http://www.englishcut.com/archives/2005_11.html tem um bom truque, detalhado e ilustrado. Foi de lá que eu tirei essa imagem que mostra exatamente como fica a posição da mão do alfaiate:

Descobri que a profissão de alfaiate é uma profissão em vias de extinção, que dedais estão em desuso, quase que viraram apenas artigos para colecionadores. Umpf! Dedais estão em desuso?!!! Por acaso furar o dedo está em desuso?!!!

Acho que o que anda em desuso é a cérebro das pessoas! Cada vez menos gente sabe usar um dedal, mas no fundo, no fundo, todo mundo tem uma linha e agulha em algum cantinho da casa para acudir um botão que cai, uma bainha que despenca. Mal e porcamente. Mas, no geral, todos têm. Ou não? Será que ando tão fora do planeta assim? Então, moçada, 'mbora comprar dedal para resguardar os dedinhos! Até porque "a costureira, sem dedal, cose pouco e mal".

Bom, mas nessas minhas divagações eu reencontrei também o Museu da Pessoa, com histórias lindas sobre antigos alfaiates, e antigas profissões. Emocionante! Já foi lá? Não? Então vá:
http://www.museudapessoa.net/

Ah! E se um dia alguém quiser me dar o mais lindo presente do mundo, olha aí uma sugestão:


Uau!!! Estojos para dedais!... para pendurar no pescoço! Lindeza!!!!

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Lunéville


Na semana passada estivemos em França, nas regiões de Alsácia e Lorraine. Minha vontade era visitar Lunéville, onde fazem um tipo de bordado muito especial, feito com uma agulha específica, que exige muita perícia. Muito explorado pela alta costura das grandes maisons parisienses, o bordado de Lunéville trabalha sobre o tule e outros tecidos finos, podendo também utilizar pedrarias, o que lhe dá uma verdadeira dimensão de arte. Como eu sou muito metida a besta, comprei logo o material, livros, informei-me sobre os cursos na escola de bordados, e agora estou aqui queimando o cérebro para aprender um pouquinho da técnica, enquanto não agendo umas aulas de verdade. E já consegui algumas coisinhas... Mas não basta queimar o cérebro: tem que queimar as pestanas também! É tudo tão delicado e miudinho, que minhas vistas sofrem um bocado para acompanhar os resultados. Portanto, meus amigos, me aguardem! Hei de mostrar-lhes daqui a algum tempo, os frutos de tanta dedicação e esforço!

sábado, 1 de agosto de 2009

Construindo castelos

Sabe aquelas tardes que uma garotinha de 5 anos te põe doida dentro de casa?!

Pois é. Resolvi partir para a ação e dar serviço para a gaja.

Sucata, umas folhas de E.V.A.... e até a Sininho apareceu para olhar...

Corta daqui, cola acolá...
Ela ficou com a mão doendo de tanto recortar florzinha!

Mas valeu a pena: passamos uma tarde divertida, ela aprendeu mais umas tantas coisinhas, trabalhou, conseguimos um bonito castelo para os pôneis, além de economizarmos uma boa grana (já viu o preço desses castelos numa loja?!). E melhor: o castelo ficou como ela queria: fomos colocando torres, janelas e portas onde ela sugeriu. Por último ainda teve um detalhe precioso: colamos lantejoulas para dar um brilho especial, e eu instalei luzes dentro, para poder ficar todo iluminado no seu quarto à noite. Voilá!

Adivinha qual foi o assunto do dia entre os pôneis?

Agora é só brincadeira...

E eu terei umas boas horas de sossego pela frente, até que os bichinhos preencham todos os espaços da imaginação dela.