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sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Paisagem proibida para asmáticos

Este ano despeço-me do Verão (que esteve mais para Veranico) com as imagens que mais me marcaram. Instantes tão rápidos, tão mágicos, mas que vão deixar esta paisagem registrada para sempre em minha memória. Sim, o belo ainda é capaz de me fazer pasmar:De passagem por St Moritz, de repente, após uma montanha ou curva da estrada, eis a imagem que se me revela:
Um lago coalhado de parapentes coloridos, que na verdade não eram parapentes... eu nem sabia que esporte era aquele!
Mas sua beleza inquestionável nos fez estacionar o carro e nos deleitar, mesmo que por breves instantes, com aquela vista de tirar o fôlego!
Ah! Era tão bonito que até doía. Foi como receber um soco no estômago, de tal modo nos deixara estupefactos.
E pensar que alguém ainda tinha o privilégio de conviver com esta vista a vida toda...
Visto de cima, podia-se ver a moldura dos Alpes, praticamente sem neve. Algo raro. Neste momento já voltou a nevar lá em cima, e está tudo bem mais branquinho. E dizem que o Verão nem acabou!
Contudo, foi uma estação inesquecível, e eu até aprendi que estes paraglaiders coloridos, com uma prancha de surf acoplada, é um esporte chamado kiteboarding. Não parece sofisticado e maravilhoso?! E ainda aprendi mais: Quando um lugar como St Moritz tem a fama turística que tem, não duvide: não fique questionando se vale a pena ir conhecer. Simplesmente vá. Ninguém adquire uma fama destas a toa. E havia ainda muito mais para apreciar:

St Moritz. Se um dia você for, me chama que eu vou! Ah! E se você for asmático, não se esqueça de levar a bombinha, ou você sentirá muita falta de ar!

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Paixão condenada

Nesta terra estou fadada a me apaixonar pelo que nem nome eu sei. E estar apaixonada por algo que não se sabe como chamar, é muito triste, amigos. Será que alguém me ajuda? Qual é o nome desta flor maravilhosa? Nunca vi uma combinação de lilás e branco tão linda!
Veja: à medida que abre, cada florzinha fica branca.
E em cada arbusto, há inúmeras pencas de flores brancas sobre lilás.
Agora exorcisa minha paixão e me conta o nome desta flor. Please!!!

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Devagar as janelas olham

Os caracóis as vezes precisam sair pelo mundo para ter momentos de pura contemplação. E foi assim que saí pela região da Engiadina, no lado suíço mais próximo à fronteira italiana, onde se fala uma língua que até Deus duvida: reto-romano. É uma língua remota, derivada do latim. Então Deus pode até duvidar, mas acho que entende bem.
Claro. Vocês já estão a perceber o motivo de ter escolhido essa região: por causa do sgrafito, do qual eu tratei noutras postagens anteriores. O esgrafito vai merecer algumas novas postagens especiais, mas antes, eu não poderia deixar de lhes mostrar o quanto as janelas da Engiadina, por si só, já valem uma viagem por aquela região dos Alpes. Vejam vocês mesmos e tirem suas conclusões:

Janela adornada com esgrafito.

Adornos em esgrafito e rede filet no lado interno.

Detalhe da "perspectiva" - a janela é recuada numa parede muito espessa.


Jardineira com Cravíneas na janela.

Par de janelas com esgrafito à volta.

Bem, essa janela eu nem me atrevo a colocar uma legenda. Parece um balcão que avança, no entanto, a parte de cima é cavada... sei lá que lindeza é essa! É tripartida, com vidros dispostos em ângulo. Disso tudo, eu só entendi a ornamentação em esgrafito. Caramba! Vou ter que estudar arquitetura!

Janela com folhas ornadas por pintura em madeira e floreira.

Janela com floreira e moldura pintada.

Gostaram?! Dizem que as janelas são os olhos da arquitetura. Eu não sei, mas descobri que além de podermos contemplar através delas, contemplá-las simplesmente já é uma grande viagem. Tem mais. Depois eu posto.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

O guarda-freio

Depois de subir o elevador do Lavra em Lisboa, não resisti e fui falar com o senhor que conduzia o dito cujo. Sim, porque eu fiquei imaginando como é que se chamaria aquela função que ele exercia...
(rufar de tambores)...
Ta-rãnnnnnnnn... Guarda-freio!!!
Viu só?! Aprendemos mais uma hoje, heim?! Você imaginava uma coisa destas? Guarda-freio. É verdade que os portugueses gostam de ter "guardas" em muitos lugares... Por exemplo, o goleiro em Portugal é chamado de guarda-redes. Então nada mais lógico que o senhor que conduz o elétrico para que as pessoas possam ascender ao outro terreno se chame guarda-freio. Fala sério: eu nuuuuuunnnnnca ia adivinhar o nome desta profissão. Antiga, já quase extinta na face da terra, mas com um requinte de poesia inegável aos olhos de hoje. E qual não foi a decepção da Carolina quando tivemos que descer:

_... mas já chegou?!

_ Claro. Onde mais você queria ir?

_ Pensei que a gente ia dar um passeio de elétrico, e já acabou... Eu nem vi nada!

_ Ok, menininha... da próxima vez você sobe a pé.

sexta-feira, 5 de março de 2010

A pergunta que não quer calar

Já estão me acusando de ter as mesmas dúvidas desde o período jurássico. Lamento informar que não são as únicas. Há outras bem mais antigas. Sim, nesse sentido, eu sou uma ruminante. Fernando Pessoa dizia: "Sou um guardador de rebanhos/ E o rebanho é os meus pensamentos". O meu caso é diferente. Eu não guardo nada: eu rumino. Não os meus pensamentos, mas as minhas dúvidas. E uma antiga dúvida atroz foi solucionada na semana passada, quando eu li o portal SwissInfo. Veja lá se você sabe o nome disso:
Hummm.... aposto que, como eu, também dizia "aqueles desenhos na parede". Eu já vi esses grafismos em muitos lugares: Portugal, Itália,... e aqui na Suíça aos montes. Mas não fazia ideia de como se chamavam. Parece afresco, porque esse efeito se consegue com uma espécie de relevo no estuque. Se clicar em qualquer destas fotos dá para ver tudo em detalhe.Alguém já descobriu o que é? É o chamado ESGRAFITO. Esta técnica vem da Itália, século XV. Teve origem no afresco árabe. Daí se esparramou um pouco por toda a Europa. Em Évora, Portugal, tem inúmeros, e eram usados na decoração de igrejas, altares e espaços conventuais. Há no Palácio da Inquisição, em frente da Sé, e mesmo em casas comuns. Era uma técnica barata, que aos poucos foi sendo substituída nos espaços eruditos e religiosos pela pintura mural e pela talha dourada. No Alentejo dominam o alto das fachadas, o contorno das janelas, as chaminés... E aqui na Suíça, cansei de ver. Só que eu não sabia o nome. Na matéria do SwissInfo dizem que o ninho do esgrafito suíço é Engadina. Me deu uma vontade doida de conhecer. Essas fotos são de lá, e estavam publicadas no portal.
A definição mais clara que consegui sobre a técnica, diz que é colocada uma camada de estuque, e depois recoberto por outra camada de cor diferente ou contrastante. Daí essa primeira camada é raspada em alguns locais específicos e, à medida que a cor debaixo reaparece, forma ornamentos, grafismos, ou desenhos.
Veja se não é uma ideia simples que dá um efeito lindo:

Então eu me lembro sabe de que? Do tanto de casas caiadas no Brasil, do tanto de moradias só no reboco, tantas lajes e puxadinhos nas favelas... Isso é uma coisa que dá para fazer perfeitamente sem precisar muito lero lero. Basta criatividade (e isso o brasileiro tem de sobra), o reboco de sempre (verdade que muitos não têm nem isso) e pó xadrez ou cal. Já imaginou?

Anota aí o nome da coisa:

ESGRAFITO

E foi assim que eu aprendi mais uma coisa bacana e acabei com mais uma das minhas dúvidas infinitas.

Outras rendas

E esse outro elemento decorativo que fica por baixo dos telhados? Você sabe como se chama? Ah-há! Esse eu descobri: chama-se lambrequim.
Que nome, heim?! Lambrequim parece uma pequena lambreca que fizeram... Mas não é nada disso:
Os lambrequins são elementos decorativos em madeira que servem de arremate para os telhados. Além da função de pingadeiras, também protegem o beiral. O design dá um certo ar de arrojo na arquitetura. Não é um charme?
Pode-se encontrar muita coisa sobre os lambrequins aqui neste site. Foi lá que eu busquei estas informações. Mas o redilhado que fica no alto do telhado... ninguém arrisca um palpite? Não posso passar a vida sem saber como se chama aquilo!

quinta-feira, 4 de março de 2010

Mais rendas

Estação do Rossio - Lisboa - Portugal
E esse outro rendilhado no alto do telhado? É a mesma coisa? Tem o mesmo nome?
Ao invés de utilizar o ferro, como no post anterior, são feitos em cantaria. Eu preciso saber o nome dessa lindura.
Mosteiro da Batalha - Portugal
Mosteiro da Batalha - Portugal
PLATIBANDA PLATIBANDA PLATIBANDA
PLATIBANDA
Obrigada, Adriana!!! Uma dúvida a menos na face da terra!

quarta-feira, 3 de março de 2010

Eu não sei

Eu gosto muito de chamar as coisas pelo nome, apesar de que, com a idade, eu tenho me esquecido da maioria deles posteriormente. Quando chamamos algo pelo seu nome real, nos apropriamos um pouco mais do conhecimento, entendemos algo além no mundo. Não é verdade?
Os portugueses adoram também conhecer as coisas, e têm um prazer especial quando alguém pergunta algo e eles têm a resposta na ponta da língua. Meu marido, particularmente.
_ Jorge, qual é mesmo a capital do Nepal?
_ Ora, você já se esqueceu? Começa com Ca...
_ Sei lá, Jorge. Se eu soubesse, não tava perguntando!
_ Catmandu.
_ Uau! Obrigada. Você sabe tudo mesmo.
O problema é quando ele NÃO SABE alguma coisa. Você pensa que ele admite? Eu não entendo uma coisa destas. É tão simples dizer "eu não sei", ou "já não me lembro", ou ainda "tenho que pesquisar"... Qual é o problema de não se saber algo? Nenhum. Ninguém sabe tudo! Ah! A beleza e a pureza que há na humilde frase "eu não sei"... Claro que eu entendo essa ansiedade e essa vontade de querer saber tudo. Não foi assim que eu comecei a postagem? Como é bom chamar as coisas pelo nome?!...
Então um dia, namorando a arquitetura maravilhosa que existe um pouco por todo Portugal, eu pergunto ao Jorge:
_ Ah! Que linda aquela ornamentação no cimo das telhas! Como é que vocês chamam aquele rendilhado que fica no alto do telhado?
_ Chamamos de "rendilhado que fica no alto do telhado".
_ Como assim? Ninguém chamaria algo por um nome tão grande. Isso deve ter um nome específico.
_ Não. Chama-se "rendilhado que fica no alto do telhado".
_ Você tá me gozando... Diga simplesmente: "não sei".
_ Uma coisa destas precisa de um nome específico?! Quando vamos construir a casa dizemos: agora vamos por o "rendilhado que fica no alto do telhado"... Olha como ficou lindo o "rendilhado que fica no alto do telhado"!
Estão a ver como o casamento pode ser algo difícil?
Então hoje, vou começar umas postagens que tratam das minhas muitas curiosidades sobre o nome de coisas bem específicas. Elas terão como marcador "o nome correto das coisas". Quem sabe não coincidem com algumas das suas próprias curiosidades? E se você souber de um nome interessante que ninguém imagina qual seja, das muitas coisas interessantes que o mundo tem, manda um comentário que eu publico.

Foto da Basílica de Quito, no Equador

Ah! E se souber finalmente como é que se chama aquele "rendilhado que fica no alto do telhado" das construções, me conta, porque até hoje eu não descobri, apesar das minhas muitas pesquisas.
Espero não receber montes de comentários do tipo "eu não sei", só porque eu disse que era mais bonito admití-lo quando fosse esse o caso.