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sexta-feira, 30 de julho de 2010

O guarda-freio

Depois de subir o elevador do Lavra em Lisboa, não resisti e fui falar com o senhor que conduzia o dito cujo. Sim, porque eu fiquei imaginando como é que se chamaria aquela função que ele exercia...
(rufar de tambores)...
Ta-rãnnnnnnnn... Guarda-freio!!!
Viu só?! Aprendemos mais uma hoje, heim?! Você imaginava uma coisa destas? Guarda-freio. É verdade que os portugueses gostam de ter "guardas" em muitos lugares... Por exemplo, o goleiro em Portugal é chamado de guarda-redes. Então nada mais lógico que o senhor que conduz o elétrico para que as pessoas possam ascender ao outro terreno se chame guarda-freio. Fala sério: eu nuuuuuunnnnnca ia adivinhar o nome desta profissão. Antiga, já quase extinta na face da terra, mas com um requinte de poesia inegável aos olhos de hoje. E qual não foi a decepção da Carolina quando tivemos que descer:

_... mas já chegou?!

_ Claro. Onde mais você queria ir?

_ Pensei que a gente ia dar um passeio de elétrico, e já acabou... Eu nem vi nada!

_ Ok, menininha... da próxima vez você sobe a pé.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Paredes de caixas

Adoro lojas e confeitarias antigas. A maneira como dispunham seus produtos quase sempre são uma grata surpresa. Veja esta loja de calçados, por exemplo:
Fica na rua por trás do café Nicola, que já mencionei aqui. As paredes são todas feitas de caixas que foram fabricadas de propósito, todas brancas, iguaizinhas, com uma 'janela' de identificação e puxador.
Eu seria capaz de passar tardes inteiras a puxar cada uma delas para descobrir os sapatos que há dentro! Parece que não vão se repetir nunca! Parece também que serão todos de outras épocas... Já pensou num closet com uma parede dessas? Uau! Baixou-me uma Imelda Marcos!!! Sai deste corpo, Imelda, que ele não lhe pertence!

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Flanando por Lisboa 2

No Rossio, em Lisboa, quase de frente da estátua de D. Pedro IV (para quem não está ligando o nome à pessoa: o nosso D. Pedro I, no Brasil), fica o café Nicola. Este era um dos pontos preferidos de Bocage e também de Domingos Caldas Barbosa. Este último foi considerado um dos maiores propagadores da Modinha em terras lusas. E não foram poucos os ataques que lançaram um ao outro, com direito a ofensivas pouco nobres de ambas as partes. É mais um reduto cultural que não se pode deixar de visitar. Repare bem na placa afixada por cima, no 1º andar, que eu assinalei com a seta em vermelho:
Sabe o que diz? Que ali, no primeiro piso, morou nada menos que Eça de Queiroz. Tenho ou não tenho razão para adorar esta cidade? Sinto-me revitalizada de caminhar por estes lugares impregnados de história. Lisboa me inspira e me comove. Posso ler seus autores como se eu também fizesse parte do cenário. Não há privilégio maior para um espectador, do que pensar todas as cenas de dentro do próprio palco.