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sexta-feira, 30 de julho de 2010

O guarda-freio

Depois de subir o elevador do Lavra em Lisboa, não resisti e fui falar com o senhor que conduzia o dito cujo. Sim, porque eu fiquei imaginando como é que se chamaria aquela função que ele exercia...
(rufar de tambores)...
Ta-rãnnnnnnnn... Guarda-freio!!!
Viu só?! Aprendemos mais uma hoje, heim?! Você imaginava uma coisa destas? Guarda-freio. É verdade que os portugueses gostam de ter "guardas" em muitos lugares... Por exemplo, o goleiro em Portugal é chamado de guarda-redes. Então nada mais lógico que o senhor que conduz o elétrico para que as pessoas possam ascender ao outro terreno se chame guarda-freio. Fala sério: eu nuuuuuunnnnnca ia adivinhar o nome desta profissão. Antiga, já quase extinta na face da terra, mas com um requinte de poesia inegável aos olhos de hoje. E qual não foi a decepção da Carolina quando tivemos que descer:

_... mas já chegou?!

_ Claro. Onde mais você queria ir?

_ Pensei que a gente ia dar um passeio de elétrico, e já acabou... Eu nem vi nada!

_ Ok, menininha... da próxima vez você sobe a pé.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

José Saramago

Folhapress
São tantos os escritores portugueses geniais e que eu aprecio com verdadeira devoção! No entanto, recebo a notícia da morte de Saramago como se ele fosse o único. O motivo talvez seja o fato de termos sido contemporâneos. Mesmo ele já tendo nos deixado uma vasta obra, eu sempre fico pensando naquelas que ele ainda poderia ter escrito. Uma enorme perda que há de ser lamentada por toda a humanidade. Mas sem dúvida e antes de mais nada, também por mim. Ave, Saramago!

sexta-feira, 5 de março de 2010

A pergunta que não quer calar

Já estão me acusando de ter as mesmas dúvidas desde o período jurássico. Lamento informar que não são as únicas. Há outras bem mais antigas. Sim, nesse sentido, eu sou uma ruminante. Fernando Pessoa dizia: "Sou um guardador de rebanhos/ E o rebanho é os meus pensamentos". O meu caso é diferente. Eu não guardo nada: eu rumino. Não os meus pensamentos, mas as minhas dúvidas. E uma antiga dúvida atroz foi solucionada na semana passada, quando eu li o portal SwissInfo. Veja lá se você sabe o nome disso:
Hummm.... aposto que, como eu, também dizia "aqueles desenhos na parede". Eu já vi esses grafismos em muitos lugares: Portugal, Itália,... e aqui na Suíça aos montes. Mas não fazia ideia de como se chamavam. Parece afresco, porque esse efeito se consegue com uma espécie de relevo no estuque. Se clicar em qualquer destas fotos dá para ver tudo em detalhe.Alguém já descobriu o que é? É o chamado ESGRAFITO. Esta técnica vem da Itália, século XV. Teve origem no afresco árabe. Daí se esparramou um pouco por toda a Europa. Em Évora, Portugal, tem inúmeros, e eram usados na decoração de igrejas, altares e espaços conventuais. Há no Palácio da Inquisição, em frente da Sé, e mesmo em casas comuns. Era uma técnica barata, que aos poucos foi sendo substituída nos espaços eruditos e religiosos pela pintura mural e pela talha dourada. No Alentejo dominam o alto das fachadas, o contorno das janelas, as chaminés... E aqui na Suíça, cansei de ver. Só que eu não sabia o nome. Na matéria do SwissInfo dizem que o ninho do esgrafito suíço é Engadina. Me deu uma vontade doida de conhecer. Essas fotos são de lá, e estavam publicadas no portal.
A definição mais clara que consegui sobre a técnica, diz que é colocada uma camada de estuque, e depois recoberto por outra camada de cor diferente ou contrastante. Daí essa primeira camada é raspada em alguns locais específicos e, à medida que a cor debaixo reaparece, forma ornamentos, grafismos, ou desenhos.
Veja se não é uma ideia simples que dá um efeito lindo:

Então eu me lembro sabe de que? Do tanto de casas caiadas no Brasil, do tanto de moradias só no reboco, tantas lajes e puxadinhos nas favelas... Isso é uma coisa que dá para fazer perfeitamente sem precisar muito lero lero. Basta criatividade (e isso o brasileiro tem de sobra), o reboco de sempre (verdade que muitos não têm nem isso) e pó xadrez ou cal. Já imaginou?

Anota aí o nome da coisa:

ESGRAFITO

E foi assim que eu aprendi mais uma coisa bacana e acabei com mais uma das minhas dúvidas infinitas.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Mais rendas

Estação do Rossio - Lisboa - Portugal
E esse outro rendilhado no alto do telhado? É a mesma coisa? Tem o mesmo nome?
Ao invés de utilizar o ferro, como no post anterior, são feitos em cantaria. Eu preciso saber o nome dessa lindura.
Mosteiro da Batalha - Portugal
Mosteiro da Batalha - Portugal
PLATIBANDA PLATIBANDA PLATIBANDA
PLATIBANDA
Obrigada, Adriana!!! Uma dúvida a menos na face da terra!

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Santo Antoninho

Tá no caritó? Jogado para as traças? Ninguém lhe ama? Ninguém lhe quer? Ó, pessoa de pouca fé... Aqui vai a minha contribuição: Os restos mortais de Santo António de Pádua (que não era de Pádua, mas sim de Lisboa) estão expostos para visitação na sua basílica na Itália. Quer saber mais, leia aqui.
Não é mesmo impressionante?! Então, se você encontra-se numa das situações que mencionei acima, ou se é um devoto com o fervor da minha tia Onilda, mexa-se! Não há nada a perder: no mínimo, você vai adquirir um pouco mais de cultura. No máximo,... bem, aí o céu é o limite.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Noite inesquecível no Cabo Espichel

Não posso deixar de agradecer ao João o link excelente que postou nos comentários aqui do blog. Obrigadíssima, João! Já pesquisei "trocentos" sites sobre o bordado Madeira, mas este, de fato, é maravilhoso e eu ainda não o conhecia! Como reconhecimento pela sua generosidade, posto aqui esta foto de outros tempos, num luau que fizemos num mosteiro abandonado do Cabo Espichel. O autor da proeza é o que está de pé, de óculos e barba. Ah-há! Vocês pensavam que os portugueses gostavam somente de fado?! Pois estão redondamente enganados. Depois eu conto o que nós estávamos a cantar neste dia.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Paredes de caixas

Adoro lojas e confeitarias antigas. A maneira como dispunham seus produtos quase sempre são uma grata surpresa. Veja esta loja de calçados, por exemplo:
Fica na rua por trás do café Nicola, que já mencionei aqui. As paredes são todas feitas de caixas que foram fabricadas de propósito, todas brancas, iguaizinhas, com uma 'janela' de identificação e puxador.
Eu seria capaz de passar tardes inteiras a puxar cada uma delas para descobrir os sapatos que há dentro! Parece que não vão se repetir nunca! Parece também que serão todos de outras épocas... Já pensou num closet com uma parede dessas? Uau! Baixou-me uma Imelda Marcos!!! Sai deste corpo, Imelda, que ele não lhe pertence!

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Flanando por Lisboa

Alô, caros visitantes que por aqui erram. Peço desculpas pelo abandono deste blog durante alguns dias, mas tive que reabastecer meu espírito. É que as saudades de Portugal já me faziam estragos na alma e lá fui eu rever a terrinha. Estive naqueles lugares que fazem meu coração bater mais forte e assim, passo a compartilhar algumas das minhas alegrias nestes poucos dias que se passaram. Desci na nova estação do metro do Terreiro do Paço em Lisboa e um forte cheiro a maresia tomou conta de tudo. Para quem andava enregelando em meio ao Outono das montanhas suíças, isto caiu-me como uma benção nos ossos. Que calorzinho bom! Daí foi só deixar-me guiar pelo instinto e vejam onde meus passos me conduziram: Reconhecem?! Sim... lá no fundo... o Martinho da Arcada.
Para quem ainda não teve o prazer de conhecer, o Martinho da Arcada é um Café Restaurante que foi muito frequentado por Fernando Pessoa. Sítio agradabilíssimo, onde também se pode tomar um bom porto ou uma boa ginja (não é, Rachel?), enquanto se observa o movimento dos transeuntes. Ainda hoje ocorrem muitas tertúlias por lá, que nós brasileiros chamamos de saraus literários.
Não pude deixar de pensar numa nova amiga que fiz aqui na Suíça, a Adriana, com quem partilho alguns gostos literários. A propósito, amiga, consegui o nosso "Caim" e, como sempre, o Saramago não deixa nada a desejar. Que me perdoem os polémicos defensores (ih, voltei escrevendo português de Portugal!)..., digo, que me perdoem os p.o.l.ê.m.i.c.o.s defensores da Igreja, mas sei reconhecer um grande escritor quando o leio. Ave, Saramago!
Ir a Portugal, é se embrenhar no melhor do que há na literatura. Ali passeia-se pelos cenários do Eça, frequenta-se os cafés por onde andaram a pegar-se o mulato Caldas Barbosa e Bocage, vê-se a casa de Cesário Verde, Mário de Sá Carneiro, come-se um pastel de bacalhau na Brasileira ao lado de um qualquer dos heterônimos de Pessoa. Como não apaixonar-se?
Ai, Portugal... Eu estava com saudades.