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domingo, 8 de maio de 2011

A ver navios

A primeira vez que li este poema, andava eu grávida de muitos meses e fiquei pasma ao constatar que alguém, e além de tudo um homem, conseguia traduzir em palavras tão exatamente a sensação que eu sentia ao conduzir meu próprio corpo. Eu era um cargueiro prestes a adernar. Apesar de sempre ter lido muito Drummond, ainda não tinha descoberto este poema. Acho-o de uma sensibilidade extrema. E aproveito o dia das Mães para dar a oportunidade a mais alguma que queira identificar-se com navios prenhes de esperança.
foto do filme "Terra estrangeira" de Walter Salles e Daniela Thomas.
«Sorrimos para as mulheres bojudas que passam como cargueiros adernando,
sorrimos sem interesse, porque a prenhez as circunda.
E levamos balões às crianças que afinal se revelam,
vemo-las criar folhas e temos cuidados especiais com sua segurança,
porque a rua é mortal e a seara não amadureceu.
Assistimos ao crescimento colegial das meninas e como é rude
infundir ritmo ao puro desengonço, forma ao espaço!
Nosso desejo, de ainda não desejar, não se sabe desejo, e espera.
Como o bicho espera outro bicho.
E o furto espera o ladrão.
E a morte espera o morto.
E a mesma espera, sua esperança.»
(...)
("Ciclo", de Carlos Drummond de Andrade - A vida passada a limpo.)

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Bodas de... sal?

Faz hoje 49 anos que meu pai "tá pegando" a minha mãe. Calma, não é só um modo grosseiro de falar: é que estou tentando usar uma linguagem mais próxima para que a nova geração de netos possa entender bem o que é isso. Hoje em dia, em que é tão difícil encontrar uma relação que dure além da primeira "pegada"... em que tudo passa na velocidade meteórica com que deixamos de ser "B.V."... Imaginem se minha mãe fosse apenas uma "perigueti", que escolhesse meu pai só para ser seu "ficante"... eu, provavelmente não tava aqui para contar essa história. Porque encontrar um companheiro para partilhar 49 anos e 6 filhos, quando o máximo que se viveu sozinho consigo mesmo foram uns parcos 20 aninhos!... Quer dizer que nesse momento, até a memória de como é ser solteiro já esmaeceu. Será que eles ainda se lembram? Será que têm saudade?

Quando isso tudo começou, eles eram assim:
O quê? Um beijo como o da primeira foto naqueles tempos?!!!! Nem pensar!!! Mesmo depois de casada, uma mulher podia ficar falada! E tenham certeza: isso era do pior que havia. O fundo do poço! O caminho sem volta!

Pois é... mas na semana passada eles se beijaram apaixonadamente. Na boca! A Carolina viu. É... "A fila anda!" Quer dizer, a fila ainda não andou, eles é que têm se renovado. Sempre. Havia uma centena de pessoas por testemunhas, aplaudindo algo tão raro nos tempos atuais. Um amor que duuuura...

Não me esqueço do meu avô Plínio, sempre com seus ditados tão sábios, dizendo: "para se conhecer bem uma pessoa, primeiro vocês têm que comer pelo menos um quilo de sal juntos".

Lembro-me exatamente do dia em que, morando em Sintra-Portugal, com quase um ano de casada, notei que precisava comprar mais sal. Imediatamente dei-me conta de que eu nunca mais comprara sal desde que me mudara para lá. Fora uma única vez. Demorou quase um ano cozinhando diariamente para acabar com aquele primeiro quilo de sal. Pensei: meu tava doido! É preciso muito mais que um quilo de sal!!! Lembro-me exatamente da sensação de entender finalmente, depois de muitos anos ouvindo a mesma frase repetida, o que meu avô queria dizer. Um quilo de sal duuuuura!...

Fazendo rapidamente as contas, ignorando os anos de namoro e noivado, chego à conclusão que meus pais já comeram juntos uns 50 quilos de sal!!!! Será que já se conhecem o bastante?!
Tanta coisa que dava para pensar... Mas para já, eu apenas quero lhes desejar tempo e disposição suficientes para comer mais esse bocadinho de sal juntos:



Cuidado com a pressão, moçada!!!!
Ok, não tão moços assim...

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Cosme e Damião e o drama do Diabo

Em nossa família sempre tivemos um simpático parzinho de vasos. Eles atendiam pelo nome de Cosme e Damião Rodrigo e Raphael. Onde um ia, lá estava o outro. Sempre. Pra cima e pra baixo, o dia inteiro!
Quem os via assim juntinhos, nem dava pelas diferenças entre eles, que não eram poucas. Mas a verdade, é que quando nasceu, Raphael era um fofucho que vivia dando risada. Continua assim até hoje!
Já o negócio do Rodrigo era chateá-lo cantando o "Paiaiô" (Não me perguntem que canção ridícula é essa! Eu me recuso a reproduzir essa ladainha!). O tempo foi passando, e o Damião Raphael começou a se tornar um idealista... Acho que se sentia assim uma espécie de super herói. Qualquer lençol velho virava a capa do Super homem, qualquer capucho esfarrapado servia de máscara... Sua imaginação não tinha limites: Acreditava nas bruxas, na Cuca, no homem do saco, no Saci Pererê, no Capitão Sabino, no plano cruzado, no pirata da perna de pau... Até no Lula ele acreditou!!!! E claro, a função do Cosme Rodrigo era trazê-lo de volta à realidade. Tentar, pelo menos.
E todos pensavam: uma amizade fraterna assim, nem mesmo uma proposta irrecusável da Dilma pode separar! É... mas seria exatamente uma mulher a autora desta proeza: sim. Ela. A única! A inigualável Susana:E todos os dias quando a Susana acorda, assim que seus delicados pezinhos tocam o chão, o Diabo resmunga lá das profundezas: «Oh, droga! Ela acordou!!!»

hahahahahahaha! Ficaram com dó?!!! Pois é: ELES VÃO SE CASAR!!!!


E assim termina a história da dupla dinâmica Cosme e Damião Rodrigo e Raphael - dois irmãos unidos como os dedos de uma mão ou vocês acham que o Rodrigo será homem de ir visitá-los, se nem o Diabo a aguenta?!!!, que um dia uma mulher separou.


E para terminar tudo em bem, resolvi compartilhar aqui a genialidade inventiva, a imaginação fértil do Raphael quando tinha apenas uns 10 anos de idade e a professora lhe pediu a indefectível redação sobre as férias, ou se quisesse, um outro tema qualquer que escolhesse. Então o eterno menino que adorava singrar as nuvens, escreveu uma "composição" com as duas postagens que se seguem. Eu, obviamente, como irmã zelosa da memória da família e do futuro promissor daquela criança, já pensando nos vinténs que isso poderia me render, guardei estes manuscritos por anos para um dia ter o prazer de chantageá-lo publicá-los. Finalmente é chegado o momento. Agora quero a opinião de vocês.



Já agora, como não tem mesmo volta,


PARABÉNS AOS NOIVOS! E UMA LONGA VIDA FELIZ PELA FRENTE!