Eu fui fazer um samba em homenagem
à nata da malandragem
que conheço de outros carnavais.
Eu fui à Lapa e perdi a viagem,
que aquela tal malandragem, não existe mais.
Agora já não é normal
o que dá de malandro regular, profissional,
malandro com aparato de malandro oficial,
malandro candidato a malandro federal,
malandro com retrato na coluna social,
malandro com contrato, com gravata e capital,
que nunca se dá mal.
Mas o malandro pra valer, não espalha,
aposentou a navalha,
tem mulher e filho, e tralha, e tal...
Dizem as más línguas que ele até trabalha,
mora lá longe e chacoalha num trem da Central.
(Homenagem ao malandro - Chico Buarque- 1978)
sexta-feira, 4 de junho de 2010
Dizem as más línguas que ele até trabalha!
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
Uma árvore de contradições
Veja esse enorme cristal, ao pé da árvore, quase do tamanho de uma abóbora:
Só uma pecinha destas, medindo 18 X 10 cm, custa cerca de 376€. Veja. Consegue imaginar? Fazer as contas? Quanto vale uma árvore de natal gigante como esta da Bahnhof?!
Eu ando pelo mundo prestando atenção
em cores que eu não sei o nome
Cores de Almodóvar
Cores de Frida Kahlo, cores
Passeio pelo escuro
Eu presto muita atenção no que meu irmão ouve
E como uma segunda pele, um calo, uma casca,
Uma cápsula protetora
Ah! Eu quero chegar antes
Pra sinalizar o estar de cada coisa
Filtrar seus graus
Eu ando pelo mundo divertindo gente
Chorando ao telefone
E vendo doer a fome dos meninos que têm fome
Pela janela do quarto
Pela janela do carro
Pela tela, pela janela,
Quem é ela, quem é ela?
Eu vejo tudo enquadrado
Remoto controle.
Eu ando pelo mundo e meus amigos, cadê?
Minha alegria, meu cansaço?
Meu amor cadê você
Eu acordei
Não tem ninguém ao lado.
Meninos no lixão em Irecê, Bahia. Foto de Raphael Paiva.
Molecada do lixão, Irecê, Ba. Foto de Raphael Paiva.
Índios da reserva Inhacapetum, em São Miguel das Missões, RS. Foto de Raphael Paiva.domingo, 13 de setembro de 2009
Desenhos contra a chuva
- O que fazer com tantos desenhos da Carolina que, como vocês sabem, tem uma vasta produção;
- Comprar-lhe um guardachuva para levá-la à escola porque, como vocês também devem saber, partilhar o mesmo guardachuva com a filha pequena é como comer tatu: dá dor nas costas!
Como sempre ocorre nestas horas, resolvi por mãos a obra e matar os dois coelhos com uma só cajadada.
Juntei alguns desenhos dela de que gostava, e comprei um guardachuva branco.
Alfinetei os desenhos na parte interna do guardachuva e depois copiei os contornos com guta preta.
Fiz o mesmo em cada uma das partes, até o guardachuva ficar repleto de desenhos.
Ficou mais ou menos assim...
Aí fui pintando os desenhos e preenchendo os fundos para dar alguma unidade àquilo tudo. A danadinha não saiu do meu lado, sempre dizendo: "a roupa do Mickey é azul com uma bola amarela, a do Bafo de onça tem a bola castanha ..."
Nossa! Como ela fala! Acho que estou com calo nos ouvidos!
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
O Porto e a degradação urbana
Dando continuidade à construção de objetos que mostravam a degradação urbana, pensei em utilizar as caixas de vinho do Porto para falar de todo esse sentimento forte que o Porto me provocara. Lembram-se das caixas de madeira em que vendem os tais vinhos?
Substituí a tampa de madeira por um vidro, que ajudou a fazer a própria moldura. Dentro da caixa, no fundo, há pequenas aquarelas e, se olhar pela janela, poderá ver uma pessoa no 1º andar a tocar violoncelo, uma família logo mais adiante assistindo à TV... enfim... a simultaneidade de afazeres que se tem ao contemplar um edifício qualquer cheio de vida.
No entanto, a mágica para mim se dá quando anoitece e... TA DANNNN!!... as luzes se acendem!
terça-feira, 1 de setembro de 2009
Sapato velho
Os sapatos da infância nos aquecem a alma.
sábado, 29 de agosto de 2009
Na porta da escola
_ Ué... uma música.
_ Outra música? Mas isso não foi ontem?
_ Sim, mas hoje eu aprendi uma nova música. Sabes? Isso aqui não é uma escola séria. É só uma escola de música!
Não bastasse ser eu uma musicóloga, ainda ter de ouvir isso de uma pirralha de 5 anos?!!! Um dia eu explico para ela a profissão da mamãe... (com um brilho de fel nos olhos) E hei de desencavar essa certeza simples com que me apunhalou o peito. Sim, porque as mães também sabem ser vingativas! (Limpando o veneno do canto esquerdo da boca)...
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
Campo de girassóis na base da confiança
domingo, 26 de julho de 2009
Internet e criação
quinta-feira, 23 de julho de 2009
Bordado, arte e memória.









